Galípolo diz que afastamento de servidores do BC ligados ao Master foi “gravíssimo”
“É um dos fatos mais graves que já aconteceram na história do Banco Central”, declarou o presidente do órgão à CAE do Senado
SBT News
19/05/2026, 16:53 • Atualizado em 20/05/2026, 01:01
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta terça-feira (19) que o afastamento de dois servidores do órgão por envolvimento no esquema do Banco Master foi um fato “gravíssimo” e lamentado pela instituição.
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Segundo Galípolo, contudo, não cabe ao BC julgar o caso, mas à Justiça. “Os indícios foram muito graves”, declarou o chefe da autarquia em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
“Eu acho que é um dos fatos mais graves que já aconteceram na história do Banco Central. Todo o corpo técnico do Banco Central, como eu já comentei, sente um efetivo luto com o que aconteceu. E, de novo, não cabe ao Banco Central julgar, vai ser a Justiça que vai determinar o que realmente ocorreu”, afirmou.
Os dois servidores afastados, Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, atuavam como consultores informais e em prol dos interesses de Vorcaro. A PF diz que a operação envolvia o vazamento de informações sigilosas do BC para o dono do Master.
Ainda em relação ao caso Master, que foi liquidado em 18 de novembro de 2025, Galípolo lembrou no Senado que BC já estava fiscalizando a instituição de perto.
“Quando temos um banco que temos receio, a fiscalização vai acompanhar mais de perto”, afirmou. “[Mas] o Banco Central não pode dizer que alguém cometeu fraude, só a justiça”, reforçou.
Galípolo declarou também que o volume de reuniões de Vorcaro na sede da autarquia estavam de acordo com a situação financeira delicada do Master. O economista disse, porém, que não participou da maioria desses encontros.
O presidente aproveitou para pedir autonomia orçamentária do Banco Central para reforçar os instrumentos de fiscalização e combate a fraudes. De acordo com ele, hoje a capacidade do órgão é menor que a de outros bancos centrais no mundo.
O economista disse que faltam recursos e que isso gera o risco de o BC ter que fazer uma “gestão de risco” escolher quais tarefas executar: “Vamos ter que escolher o que a gente cobre e o que não cobre, porque o cobertor é curto”, afirmou.
Segundo Galípolo, a autoridade monetária brasileira tem hoje, na média, uma pessoa para fiscalizar de 20 a 30 instituições financeiras, enquanto bancos centrais europeus operam no “sinal invertido”, de dezenas de pessoas para fiscalizar uma corporação.
Questionado sobre a atuação do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, Gabriel Galípolo disse que não cabe a ele “perseguir ninguém” e que não vai deixar o órgão “se transformar em palanque para política”.
As declarações foram feitas depois de os senadores perguntarem sobre o processo de operações de câmbio irregularidades pelo Banco Santander enquanto o antecessor de Galípolo atuava na tesouraria da instituição privada.
O Santander pagou R$ 19 milhões ao BC como parte de um termo de compromisso, enquanto Campos Neto desembolsou R$ 300 mil. O episódio ocorreu de 2015 a 2017, antes de o economista assumir a presidência do Banco Central.
Segundo o atual presidente da autarquia, o caso foi apurado somente como um preenchimento inadequado de dados cadastrais que corresponde a uma quantia ínfima do câmbio total envolvido na operação.
Galípolo defendeu o acordo fechado com o Santander e Campos Neto, que foi conduzido pelo Coter (Comitê de Decisão de Termo de Compromisso), que não responde à diretoria do Banco Central.
O presidente da autarquia monetária negou que o comitê tenha blindado seu antecessor e disse que a apuração interna do Coter é técnica para evitar que seja usado como “instrumento de constrangimento”.
“É muito importante que a gente siga a governança do Banco Central para que esses processos que são feitos não sirvam amanhã de instrumento persecutório de um novo Presidente pelo Presidente anterior”, explicou.
Galípolo diz que afastamento de servidores do BC ligados ao Master foi “gravíssimo”“É um dos fatos mais graves que já aconteceram na história do Banco Central”, declarou o presidente do órgão à CAE do SenadoPolítica2026-05-19T16:53:20.752ZO presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta terça-feira (19) que o afastamento de dois servidores do órgão por envolvimento no esquema do Banco Master foi um fato “gravíssimo” e lamentado pela instituição. Segundo Galípolo, contudo, não cabe ao BC julgar o caso, mas à Justiça. “Os indícios foram muito graves”, declarou o chefe da autarquia em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. “Eu acho que é um dos fatos mais graves que já aconteceram na história do Banco Central. Todo o corpo técnico do Banco Central, como eu já comentei, sente um efetivo luto com o que aconteceu. E, de novo, não cabe ao Banco Central julgar, vai ser a Justiça que vai determinar o que realmente ocorreu”, afirmou. Os dois servidores afastados, Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, atuavam como consultores informais e em prol dos interesses de Vorcaro. A PF diz que a operação envolvia o vazamento de informações sigilosas do BC para o dono do Master. Ainda em relação ao caso Master, que foi , Galípolo lembrou no Senado que BC já estava fiscalizando a instituição de perto. “Quando temos um banco que temos receio, a fiscalização vai acompanhar mais de perto”, afirmou. “[Mas] o Banco Central não pode dizer que alguém cometeu fraude, só a justiça”, reforçou. Galípolo declarou também que o volume de reuniões de Vorcaro na sede da autarquia estavam de acordo com a situação financeira delicada do Master. O economista disse, porém, que não participou da maioria desses encontros. O presidente aproveitou para pedir autonomia orçamentária do Banco Central para reforçar os instrumentos de fiscalização e combate a fraudes. De acordo com ele, hoje a capacidade do órgão é menor que a de outros bancos centrais no mundo. O economista disse que faltam recursos e que isso gera o risco de o BC ter que fazer uma “gestão de risco” escolher quais tarefas executar: “Vamos ter que escolher o que a gente cobre e o que não cobre, porque o cobertor é curto”, afirmou. Segundo Galípolo, a autoridade monetária brasileira tem hoje, na média, uma pessoa para fiscalizar de 20 a 30 instituições financeiras, enquanto bancos centrais europeus operam no “sinal invertido”, de dezenas de pessoas para fiscalizar uma corporação. Evita críticas a Campos Neto Questionado sobre a atuação do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, Gabriel Galípolo disse que não cabe a ele “perseguir ninguém” e que não vai deixar o órgão “se transformar em palanque para política”. As declarações foram feitas depois de os senadores perguntarem sobre o processo de operações de câmbio irregularidades pelo Banco Santander enquanto o antecessor de Galípolo atuava na tesouraria da instituição privada. O Santander pagou R$ 19 milhões ao BC como parte de um termo de compromisso, enquanto Campos Neto desembolsou R$ 300 mil. O episódio ocorreu de 2015 a 2017, antes de o economista assumir a presidência do Banco Central. Segundo o atual presidente da autarquia, o caso foi apurado somente como um preenchimento inadequado de dados cadastrais que corresponde a uma quantia ínfima do câmbio total envolvido na operação. Galípolo defendeu o acordo fechado com o Santander e Campos Neto, que foi conduzido pelo Coter (Comitê de Decisão de Termo de Compromisso), que não responde à diretoria do Banco Central. O presidente da autarquia monetária negou que o comitê tenha blindado seu antecessor e disse que a apuração interna do Coter é técnica para evitar que seja usado como “instrumento de constrangimento”. “É muito importante que a gente siga a governança do Banco Central para que esses processos que são feitos não sirvam amanhã de instrumento persecutório de um novo Presidente pelo Presidente anterior”, explicou.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/galipolo-diz-que-afastamento-de-servidores-do-bc-ligados-ao-master-foi-gravissimo
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