Galípolo diz que afastamento de servidores do BC ligados ao Master foi “gravíssimo”
“É um dos fatos mais graves que já aconteceram na história do Banco Central”, declarou o presidente do órgão à CAE do Senado


SBT News
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta terça-feira (19) que o afastamento de dois servidores do órgão por envolvimento no esquema do Banco Master foi um fato “gravíssimo” e lamentado pela instituição.
Segundo Galípolo, contudo, não cabe ao BC julgar o caso, mas à Justiça. “Os indícios foram muito graves”, declarou o chefe da autarquia em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
“Eu acho que é um dos fatos mais graves que já aconteceram na história do Banco Central. Todo o corpo técnico do Banco Central, como eu já comentei, sente um efetivo luto com o que aconteceu. E, de novo, não cabe ao Banco Central julgar, vai ser a Justiça que vai determinar o que realmente ocorreu”, afirmou.
Os dois servidores afastados, Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, atuavam como consultores informais e em prol dos interesses de Vorcaro. A PF diz que a operação envolvia o vazamento de informações sigilosas do BC para o dono do Master.
Ainda em relação ao caso Master, que foi liquidado em 18 de novembro de 2025, Galípolo lembrou no Senado que BC já estava fiscalizando a instituição de perto.
“Quando temos um banco que temos receio, a fiscalização vai acompanhar mais de perto”, afirmou. “[Mas] o Banco Central não pode dizer que alguém cometeu fraude, só a justiça”, reforçou.
Galípolo declarou também que o volume de reuniões de Vorcaro na sede da autarquia estavam de acordo com a situação financeira delicada do Master. O economista disse, porém, que não participou da maioria desses encontros.
O presidente aproveitou para pedir autonomia orçamentária do Banco Central para reforçar os instrumentos de fiscalização e combate a fraudes. De acordo com ele, hoje a capacidade do órgão é menor que a de outros bancos centrais no mundo.
O economista disse que faltam recursos e que isso gera o risco de o BC ter que fazer uma “gestão de risco” escolher quais tarefas executar: “Vamos ter que escolher o que a gente cobre e o que não cobre, porque o cobertor é curto”, afirmou.
Segundo Galípolo, a autoridade monetária brasileira tem hoje, na média, uma pessoa para fiscalizar de 20 a 30 instituições financeiras, enquanto bancos centrais europeus operam no “sinal invertido”, de dezenas de pessoas para fiscalizar uma corporação.
Evita críticas a Campos Neto
Questionado sobre a atuação do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, Gabriel Galípolo disse que não cabe a ele “perseguir ninguém” e que não vai deixar o órgão “se transformar em palanque para política”.
As declarações foram feitas depois de os senadores perguntarem sobre o processo de operações de câmbio irregularidades pelo Banco Santander enquanto o antecessor de Galípolo atuava na tesouraria da instituição privada.
O Santander pagou R$ 19 milhões ao BC como parte de um termo de compromisso, enquanto Campos Neto desembolsou R$ 300 mil. O episódio ocorreu de 2015 a 2017, antes de o economista assumir a presidência do Banco Central.
Segundo o atual presidente da autarquia, o caso foi apurado somente como um preenchimento inadequado de dados cadastrais que corresponde a uma quantia ínfima do câmbio total envolvido na operação.
Galípolo defendeu o acordo fechado com o Santander e Campos Neto, que foi conduzido pelo Coter (Comitê de Decisão de Termo de Compromisso), que não responde à diretoria do Banco Central.
O presidente da autarquia monetária negou que o comitê tenha blindado seu antecessor e disse que a apuração interna do Coter é técnica para evitar que seja usado como “instrumento de constrangimento”.
“É muito importante que a gente siga a governança do Banco Central para que esses processos que são feitos não sirvam amanhã de instrumento persecutório de um novo Presidente pelo Presidente anterior”, explicou.









