Economia

Dólar sobe e bolsa cai após divulgação de áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

Moeda estrangeira escalou 2,27%, maior alta percentual em um único dia desde dezembro de 2025; Ibovespa fechou o dia em queda de 1,80%

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O dólar ultrapassou R$ 5 após a publicação de uma reportagem sobre ligações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro. O Ibovespa, por sua vez, aprofundou as perdas e encerrou com forte queda o pregão desta quarta-feira (13).

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O dólar à vista fechou a sessão em alta de 2,27%, aos R$5,0059, a maior alta percentual em um único dia desde 5 de dezembro do ano passado, quando o dólar subiu 2,34%. Já o Ibovespa recuou 1,80%, aos 177.098 pontos.

A reportagem em questão, do "Intercept Brasil", mostrou, por meio de documentos, que Flávio teria negociado com Vorcaro R$ 134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

Vorcaro, também preso, está no centro do escândalo da liquidação do Master, responsável por fraudes bilionárias, e negocia atualmente uma proposta de delação premiada que pode atingir parlamentares e outras autoridades.

Segundo Bruno Perri, economista-chefe e fundador da Fórum Investimentos, o mercado financeiro reagiu de forma negativa à reportagem. Embora a Bolsa já operasse em queda, a repercussão da matéria intensificou o movimento de "aversão ao risco".

Para o economista, o caso envolvendo o banco Master já era visto como "politicamente tóxico", com pesquisas qualitativas indicando que parte da população associava o caso ao governo.

Agora, investidores passaram a considerar uma possível perda de força da candidatura de Flávio, o que aumentaria as chances de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Perri explica que a reação do mercado não está necessariamente ligada a uma preferência pessoal por Flávio Bolsonaro, mas sim à expectativa de mudança na condução da política econômica do país.

Segundo ele, investidores têm demonstrado preferência por candidaturas que sinalizem alterações na gestão fiscal, especialmente em relação ao controle da dívida pública e das despesas do governo.

"Há uma preferência por candidaturas que sinalizem maior controle de despesas e da evolução do endividamento. Se fosse outra candidatura de oposição bem posicionada, a reação seria semelhante", afirmou Perri durante participação no "Poder Expresso".
"Não é algo pessoal a favor do Flávio ou contra o presidente Lula, mas uma avaliação negativa da política econômica, especialmente da política fiscal dos últimos anos de mandato", acrescentou.

Perri ressalta ainda que o caso do banco Master é especialmente emblemático porque uma parte significativa do eleitorado de centro é especialmente sensível a notícias relacionadas à corrupção, como mostram pesquisas qualitativas.

Nesse sentido, os desdobramentos do caso, incluindo discussões sobre a abertura de uma CPI e possíveis impactos envolvendo diferentes esferas de poder, podem afetar diretamente as eleições.

Na avaliação de Perri, uma eventual perda de força da candidatura de Flávio levaria o mercado a observar quais seriam suas chances reais em um eventual segundo turno ou se surgiria outro nome capaz de ocupar esse espaço político. Para ele, no entanto, ainda é cedo para fazer projeções definitivas.

"É muito cedo para fazer talvez essas conjecturas, outubro está a um século de distância", disse. "Mas neste momento em que tudo é tão incerto e a notícia é tão fresca, o mercado costuma reagir de forma um pouco mais arisca e prefere se proteger correndo para os ativos de maior segurança."

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