Zettel injetou R$ 13,5 milhões em grupo de mídia que financiou filme de Bolsonaro
Operador financeiro de Daniel Vorcaro tinha crédito milionário com conglomerado usado para custear a produção

Valentina Moreira
Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e apontado pela Polícia Federal como o principal operador financeiro do banqueiro, investiu ao menos R$ 13,5 milhões no grupo empresarial utilizado para financiar o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Dados da declaração de Imposto de Renda de 2024 do empresário revelam que Zettel possuía um crédito de R$ 11,7 milhões com a Foone Serviços de Internet. Além disso, mantinha um crédito de R$ 1,7 milhão com o Duke, fundo sócio da Foone.
A Foone integra o conglomerado da Entre Investimentos e Participações, que, segundo o site Intercept Brasil, foi utilizada para o financiamento da obra cinematográfica. O vínculo entre as duas empresas é feito por Kleber Zolezani, um dos donos da Foone e sócio de Antonio Carlos Freixo Júnior, o dono da Entre Investimentos.
Além disso, a declaração de IR de 2025 do Banco Master mostra um investimento direto de R$ 2,3 milhões da instituição financeira na Entre Investimentos e Participações.
Documentos obtidos pelo Intercept indicam que a empresa intermediou repasses de Daniel Vorcaro a uma companhia ligada a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Os recursos visavam custear a produção de "Dark Horse", filme biográfico de Jair Bolsonaro com estreia prevista para setembro.
Mensagens divulgadas pela reportagem apontam ainda que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria negociado diretamente com Vorcaro um investimento de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época) no projeto.
Em nota, Flávio Bolsonaro admitiu que pediu dinheiro para Daniel Vorcaro para bancar o filme de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas afirma que não ofereceu vantagens em troca e "não promoveu encontros privados fora da agenda".
O senador afirma que "é preciso separar os inocentes, dos bandidos", argumentando que "o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público".
Flávio também defende a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master. "Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master".









