Senado dos EUA confirma Kevin Warsh como próximo presidente do Fed
Warsh já vai comandar reunião de junho sobre taxa de juros, marcada para a próxima semana


Exame.com
Kevin Warsh foi aprovado pelo Senado dos Estados Unidos nesta quarta-feira, 13, para assumir a presidência do Federal Reserve (Fed, banco central americano). As informações foram divulgadas pela CNBC.
A confirmação encerra um processo de meses para definir o sucessor de Jerome Powell, que presidia o Fed desde 2018 e deixa o cargo ao fim desta semana.
Warsh, de 56 anos, recebeu 54 votos favoráveis e 45 contrários em uma votação marcada por forte divisão partidária. O democrata John Fetterman, da Pensilvânia, foi o único integrante do partido a apoiar o nome indicado por Donald Trump.
Em nota, o deputado republicano French Hill afirmou que Warsh tem defendido uma atuação mais disciplinada do Fed no combate à inflação e na preservação da estabilidade de preços. Segundo ele, a prioridade do novo presidente deverá ser restaurar a confiança na economia americana.
Warsh disputou a indicação com outros nomes ligados ao Fed, entre eles os atuais diretores Christopher Waller e Michelle Bowman.
Essa será a segunda passagem de Warsh pelo banco central. Entre 2006 e 2011, ele integrou o conselho do Fed durante a crise financeira global desencadeada pelo colapso do mercado de hipotecas subprime.
Na época, participou das discussões sobre as medidas emergenciais adotadas para sustentar a economia, incluindo o programa de compra de ativos conhecido como “flexibilização quantitativa”. Posteriormente, Warsh afirmou que a expansão do balanço do Fed naquele período foi excessiva.
Warsh chega com desafios
O novo presidente do Fed passa a liderar o banco central americano em um momento de forte pressão política por cortes de juros e de persistência da inflação acima da meta oficial.
Ao longo do processo, Trump deixou claro que espera uma postura mais favorável à redução das taxas de juros. O presidente vinha criticando Powell por manter uma política monetária considerada rígida demais pela Casa Branca.
A chegada de Warsh ocorre, porém, em um cenário econômico mais desafiador. Dados recentes mostraram aceleração da inflação e aumento das pressões sobre os preços, o que diminuiu as apostas do mercado em cortes de juros nos próximos meses.
Alguns investidores passaram inclusive a considerar a possibilidade de uma nova alta das taxas ainda neste ano.
Desde que deixou a instituição, Warsh passou a atuar como professor da Stanford School of Business e membro de conselhos corporativos, além de manter uma postura crítica em relação à condução da política monetária americana.
Em entrevista à CNBC no ano passado, chegou a defender uma “mudança de regime” no Federal Reserve.
A primeira reunião comandada por Warsh à frente do Comitê de Política Monetária americano (Fomc, na sigla em inglês) está marcada para os dias 16 e 17 de junho.
Segundo a CNBC, ele também se tornará o presidente mais rico da história do Federal Reserve, com patrimônio superior a US$ 100 milhões. Pelas regras atuais de ética do banco central, terá de vender parte relevante de seus investimentos ao assumir o cargo.









