Política

Boulos critica “terrorismo patronal” no debate sobre o fim da escala 6x1

Ministro também afirmou que redução da jornada tem respaldo técnico e refutou declarações de que proposta seria “demagógica”

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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, durante audiência na comissão especial sobre o fim da escala 6x1 | Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou nesta quarta-feira (13) o que chamou de “terrorismo patronal” em torno do debate sobre o fim da escala 6x1. Durante audiência na comissão especial da Câmara que discute a redução da jornada de trabalho, Boulos rebateu argumentos de que a proposta provocaria desemprego, queda de produtividade e prejuízos econômicos ao país.

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“Esse debate está acontecendo [...] e, frequentemente, a gente ouve argumentos [...] que isso vai ter um impacto negativo na produtividade. Isso poderia gerar desemprego. Ao que tem se traduzido numa espécie de um terrorismo patronal de que qualquer ganho para o trabalhador significaria um prejuízo econômico para o Brasil”, declarou.

Segundo Boulos, o debate público sobre a redução da jornada também tem sido marcado por previsões alarmistas e críticas de que a proposta seria “demagógica”, motivada pelo calendário eleitoral e sem embasamento técnico.

O ministro disse que as pessoas podem discordar da proposta, mas criticou o uso de “fantasmas” para desqualificar a discussão.

“As pessoas podem concordar, podem discordar. As pessoas podem dizer: ‘o trabalhador não tem direito a dois dias de descanso’. É legítimo. Estamos numa democracia e todo mundo pode defender suas posições. O que as pessoas não podem dizer é que o fim da escala 6 por 1 e a redução da jornada de trabalho não estão embasados em estudos e dados, porque isso não é verdade”, disse.

Para sustentar a defesa da proposta, o ministro apresentou estudos e pesquisas nacionais e internacionais sobre redução da jornada de trabalho.

Boulos citou um experimento realizado em 2024 com 19 empresas brasileiras pela Fundação Getulio Vargas (FGV), além de exemplos de países como Islândia, França, Reino Unido, Colômbia e México.

O ministro também mencionou um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre os impactos econômicos do fim da escala 6x1 e uma pesquisa do Sebrae com micro e pequenos empreendedores sobre os efeitos da reorganização da jornada de trabalho.

Na audiência, Boulos ainda contestou o argumento de que a redução da jornada prejudicaria a produtividade brasileira. Para ele, trabalhadores mais descansados tendem a produzir mais, além de sofrer menos acidentes e afastamentos por burnout e outros problemas de saúde mental.

“É verdade que a produtividade do trabalho na economia brasileira está estagnada há anos. Esse é um fato. Agora, dizer que vamos reduzir produtividade, se reduzir o trabalho exaustivo dos trabalhadores, não é verdade. Aliás, é justamente o contrário. Um trabalhador mais descansado produz melhor”, afirmou.

Na avaliação dele, o aumento da produtividade também depende de investimentos em inovação, ciência e tecnologia, e não da manutenção de jornadas extensas.

“Temos uma obsolescência do maquinário industrial no país. Essa é a realidade. [...] Estamos utilizando um equipamento e uma tecnologia que estão quase duas décadas atrasados. O que vai nos permitir competir com a China, com os países mais ricos, é exatamente fazer o que eles fizeram: investimento em ciência e tecnologia e infraestrutura”, declarou.

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