Gleisi cobra investigação sobre Flávio por financiamento de Vorcaro para filme de Bolsonaro
Ex-ministra questiona valores de financiamento à produção; senador admite ter solicitado recursos, mas nega irregularidades




Raquel Landim
Basília Rodrigues
Nathalia Fruet
Vicklin Moraes
A ex- ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendeu nesta quarta-feira (13) a investigação da relação entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, após a revelação de um financiamento milionário para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em entrevista exclusiva ao SBT News, Gleisi comentou as informações divulgadas pelo Intercept Brasil de que Vorcaro teria negociado um aporte de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época) para a produção do filme “Dark Horse”, com estreia prevista para setembro. Segundo documentos obtidos pelo site, ao menos R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.
A ministra afirmou que o caso levanta suspeitas e precisa ser apurado. “Tem que ser investigado por que um senador pede dinheiro para um banqueiro para fazer o filme do seu pai. E não foi pouco: mais de R$ 130 milhões para um filme”, disse.
Ela também apontou o que considera uma contradição no discurso do grupo político. “Eles eram muito críticos da Lei Rouanet, diziam que não podia ter financiamento, e agora aparece esse pedido de dinheiro para um filme, e olha o valor”, afirmou.
Gleisi ainda questionou o montante envolvido na produção. Segundo ela, produções como Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar, teriam recebido cerca de R$ 49 milhões, enquanto Agente Secreto, indicado à premiação, teve orçamento de aproximadamente R$ 28 milhões.
Para a ex-ministra, o episódio vai além de um desgaste de imagem. “Isso não é uma questão de constrangimento, é uma questão de interesses, de intervenção no processo como um todo. Tudo isso tem que ser investigado”, declarou.
A ministra ainda citou o contexto político mais amplo e criticou a tentativa, segundo ela, de transferir responsabilidades. Ela também mencionou outros episódios envolvendo aliados do ex-presidente, como o senador e ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, Ciro Nogueira, alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero. Segundo as investigações, o esquema envolvia pagamentos indevidos de Daniel Vorcaro a Ciro Nogueira em troca de favores políticos.
"Então a história vai fechando e nós vamos vendo que esse banco realmente era um banco de interesse da família Bolsonaro. Foi por isso que Flávio Bolsonaro não pediu na sessão do Congresso Nacional que julgou, derrubou o veto do presidente e a dosimetria, abaixar a pena dos golpistas, não pediu a instalação da CPMI do Master", afirmou.
Para a ministra, a apuração é necessária diante dos indícios. “Tem que ser muito investigado tudo isso, levantadas todas as informações e, obviamente, as responsabilidades”, concluiu.
Outro lado
Em vídeo, Flávio Bolsonaro admitiu que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para bancar o filme sobre o pai, mas negou irregularidades. Segundo o senador, não houve oferta de vantagens em troca nem encontros fora da agenda.
“O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou.
Flávio também defendeu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master. “Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master”, declarou.









