Cézar Feitoza
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Coluna do Cézar

Jornalista com passagem nas redações da Folha de S.Paulo, Correio Braziliense, O Antagonista e rádios como BandNews e CBN. Seu foco abrange o Judiciário e as relações entre os poderes civis e militares.

Justiça

Vorcaro é preso pela PF em nova fase de operação que investiga suspeita de fraudes no Master

O banqueiro também chegou a ser detido na primeira fase da força-tarefa, em novembro passado; ação de hoje bloqueou e sequestrou R$ 22 bilhões em bens

Cézar Feitoza
• Atualizado em

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quarta-feira (4) o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na terceira fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeita de fraudes bilionárias na instituição financeira. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Foram alvos de mandados de prisão:

  • Daniel Vorcaro, banqueiro e controlador do Master;
  • Fabiano Campos Zettel, empresário e cunhado de Vorcaro;
  • Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão;
  • Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado.

Vorcaro também chegou a ser detido na primeira fase da Compliance Zero, em novembro passado. Na ocasião, ele recebeu voz de prisão da PF quando estava no raio-x do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, prestes a deixar o país em um avião particular.

A decisão de Mendonça que baseou a operação de hoje vem após o próprio magistrado desobrigar, nessa terça (3), Vorcaro de prestar depoimento na CPI do Crime Organizado.

De acordo com a PF, a prisão preventiva de Vorcaro foi solicitada após a análise de mensagens encontradas no celular dele. O conteúdo indicaria que o banqueiro teria planejado atos de violência contra pessoas que considerava adversárias.

O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também alvo da operação, se apresentou à Polícia Federal. "Em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades", informaram.

A terceira etapa da Compliance Zero cumpre, ao todo, quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão contra alvos em Minas Gerais e São Paulo. Segundo a PF, o Banco Central (BC) dá apoio à investigação policial.

Mendonça ainda determinou ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de R$ 22 bilhões em bens, conforme a PF, "com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas".

Servidores do BC suspeitos de vazar informações para Vorcaro

O ministro do STF também ordenou busca e apreensão em endereços de Paulo Sérgio Souza e Belline Santana, servidores de carreira do BC alocados no Departamento de Supervisão Bancária (Desup).

Souza está usando tornozeleira eletrônica. Ele comandou a diretoria de Fiscalização sob a gestão de Roberto Campos Neto e, nos últimos anos, era chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária. O chefe da divisão era Belline Santana.

Segundo a PF, Souza e Santana atuavam como consultores do Master dentro do BC e tinham até um grupo de mensagens com Vorcaro, fornecendo informações sobre procedimentos em curso e indicando estratégias para contornar a fiscalização da autoridade monetária.

Esquema tinha núcleos de corrupção institucional e intimidação

De acordo com a PF, o esquema investigado se dividia em quatro núcleos de atuação:

  • Financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro;
  • Corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do BC;
  • Ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas;
  • Intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de pessoas, dentre as quais, adversários concorrenciais, jornalistas, ex-funcionários e autoridades.

O quarto núcleo, ainda segundo a PF, acessava indevidamente sistemas sigilosos de instituições públicas com competência investigativa. A lista inclui a própria Polícia Federal, o Ministério Público Federal MPF), o FBI e a Interpol.

A PF apura suspeita dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.

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