Julgamento do caso Henry Borel entra na reta final; entenda
Padrasto e mãe do menino são acusados de homicídio triplamente qualificado, fraude processual e coação


Henry Borel tinha 4 anos quando foi morto | Reprodução
O julgamento do caso Henry Borel, no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, entrou na reta final. Estão no banco de réus o padrasto do menino, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e a mãe, Monique Medeiros, acusados de matar a criança, em 2021.
Na terça-feira (2), o júri ouviu os dois réus. O primeiro depoimento foi de Monique, que mudou sua percepção sobre o caso e acusou o ex-vereador pela morte do filho, citando relatos de agressões atribuídas a Jairinho contra outras crianças. “Pelo modus operandi dele, pelos filhos delas, eu acredito que pode ter sido ele”, disse.
A declaração foi rebatida pelo ex-vereador. Questionado pela defesa, ele admitiu que costumava dar “bandas” (expressão popular para rasteira) em Henry, mas negou que tenha agredido e torturado a criança. Também contestou os relatos de violência apresentados por ex-companheiras durante o julgamento. "Tudo que começaram a falar de mim é especulação", afirmou.
Além dos réus, o júri ouviu mais de 20 testemunhas, incluindo a babá do casal e peritos que investigaram o caso. Para esta quarta-feira (3) está prevista a sessão de debates, isto é, o parecer final da acusação e da defesa perante o Conselho de Sentença — composto por sete jurados.
Após as manifestações, os jurados responderão aos quesitos formulados pela Justiça sobre autoria, materialidade e qualificadoras dos crimes atribuídos a Jairinho e Monique. A decisão, tomada por maioria dos votos, será lida pela juíza Elizabeth Machado.
Henry Borel, de quatro anos, foi morto no apartamento onde morava com Monique e Jairinho, na zona oeste do Rio. O casal chegou a levar a criança para o hospital, onde alegaram acidente doméstico. O laudo da necropsia, contudo, indicou que o menino teve hemorragia interna por laceração hepática no fígado, causada por agressões e tortura.
As investigações da Polícia Civil concluíram que Henry era vítima de rotinas de torturas praticadas pelo padrasto, com conhecimento da mãe.
Ambos respondem por homicídio triplamente qualificado — sendo na forma de omissão no caso de Monique —, fraude processual e coação. Jairinho também é acusado de tortura, por agressões anteriores, e Monique de falsidade ideológica, por prestar declaração falsa sobre a morte do filho.















