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EUA respondem ofensiva iraniana e lançam novos ataques

Bombardeio ocorreram após Teerã lançar mísseis contra bases norte-americanas no Oriente Médio

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Camila Stucaluc
03/06/2026, 09:31 • Atualizado em 03/06/2026, 09:31
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Marinha dos Estados Unidos em atuação na costa do Irã | Divulgação/Comando Central dos EUA

Marinha dos Estados Unidos em atuação na costa do Irã | Divulgação/Comando Central dos EUA

Os Estados Unidos lançaram novos ataques contra o Irã nesta terça-feira (2). Em comunicado, o Comando Central (Centcom) descreveu os bombardeios como defensivos, dizendo ser uma resposta à ofensiva iraniana contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio.

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“O Irã lançou vários mísseis em direção a países vizinhos da região; no entanto, todos falharam ao atingir seus alvos pretendidos. Dois mísseis disparados contra o Kuwait não atingiram seus alvos ou se fragmentaram durante a trajetória, e três lançados contra o Bahrein foram imediatamente interceptados pelas forças de defesa aérea”, diz o texto.

Os novos ataques norte-americanos tiveram como alvo uma estação de controle terrestre iraniana localizada na Ilha Qeshm, no Estreito de Ormuz. Os militares disseram que também abateram três drones lançados contra “marinheiros civis” que transitavam pelas águas regionais.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), por sua vez, afirmou que os ataques contra o Kuwait foram uma resposta à "agressão descarada e flagrante" das forças norte-americanas na Ilha Qeshm. Ressaltou, ainda, que os lançamentos são uma “resposta inicial”, alertando para um contra-ataque “muito mais forte”.

A troca de hostilidades acontece em meio às negociações diplomáticas. Mediado pelo Paquistão, o acordo em discussão envolve a ampliação do cessar-fogo, a reabertura do Estreito de Ormuz e um plano para futuras negociações envolvendo o programa nuclear iraniano — principal objetivo de Washington.

Outra questão chave para o acordo é o conflito entre Israel e o grupo Hezbollah, aliado do regime iraniano, no Líbano. Teerã insiste que Beirute seja incluído em qualquer acordo de cessar-fogo negociado com os Estados Unidos, mas também ressalta o direito de Tel Aviv de agir contra ameaças iminentes.

Na segunda-feira (1º), o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que os Estados Unidos estavam "constantemente mudando suas opiniões e apresentando novas ou contraditórias exigências". Ele reiterou que a questão nuclear não faz parte das negociações em curso, ressaltando que a “prioridade é encerrar a guerra”.

Entenda

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.

No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. A proposta, mediada pelo Paquistão, foi formalizada a menos de 1h30 do fim do ultimato dado pelo presidente norte-americano para a reabertura do Estreito de Ormuz. O republicano havia afirmado que, caso a rota não fosse reaberta, “uma civilização inteira morreria para nunca mais ser ressuscitada”.

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