Deputados governistas viajam aos EUA após anúncio de tarifa
Comitiva pretende defender instituições brasileiras e discutir relações bilaterais em meio à tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos

Deputados da base do governo federal embarcaram nesta semana para os Estados Unidos em uma missão oficial que ocorre em meio ao anúncio do governo americano de uma proposta para aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
A viagem já estava marcada, mas acabou coincidindo com um momento de maior tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo apuração do SBT News, os parlamentares pretendem reforçar o diálogo com autoridades americanas e representantes de organismos internacionais.
A agenda inclui reuniões com a embaixadora dos Estados Unidos em Washington e com embaixadores ligados à Organização dos Estados Americanos (OEA).
A expectativa é que os encontros abordem temas relacionados à democracia, às relações diplomáticas e ao fortalecimento da cooperação entre os dois países.
Além de representantes diplomáticos, os integrantes da comitiva devem se reunir com parlamentares do Partido Democrata e membros do Congresso americano para estreitar relações institucionais e ampliar o diálogo político entre Brasil e Estados Unidos.
Quem faz parte da comitiva?
Os deputados escalados para a missão oficial são:
- Jandira Feghali (PCdoB-RJ)
- Pedro Campos (PSB-PE)
- Pedro Uczai (PT-SC)
- André Janones (PSOL-REDE)
Relações Exteriores também avalia enviar comissão
Nesta terça-feira (2), o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, manifestou a possibilidade de liderar outra comitiva de senadores aos Estados Unidos para discutir o tema, como fez após o anúncio do tarifaço do presidente Donald Trump ao Brasil em julho do ano passado.
“Se houver a necessidade de ter que ir para lá, pode ter certeza de que nós iremos para defender o Brasil e os setores do agronegócio e da indústria”, destacou o senador.
Nelsinho também afirmou que o colegiado avalia com cautela como responder ao anúncio. Apesar da manifestação, ainda não há confirmação sobre o envio de uma comitiva do Senado aos Estados Unidos.
Lula espera telefonema de Trump
Mais cedo nesta terça-feira (2), presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que espera um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para explicar a proposta do governo sobre as tarifas.
“Você me deve uma reunião e eu devo uma para você, porque demos 30 dias para os nossos ministros negociarem. Então, estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter a sua anuência”, disse.
O presidente também relembrou que, durante sua visita aos EUA em maio, entregou ao republicano propostas relacionadas a minerais críticos e terras raras, combate ao crime organizado, comércio bilateral e outros temas de interesse comum.
Ao falar sobre o possível anúncio da nova tarifa, Lula classificou o tarifaço como uma “atitude tempestiva, com base numa mentira”. O presidente também associou a medida tarifária ao que considera ser uma preocupação dos Estados Unidos com o avanço do Pix.
“A segunda coisa que eu fiquei preocupado é porque o Pix assusta ele [Trump]. Eu falei para o Trump: ‘ô cara, ao invés de ter medo do Pix, coloca o Pix para funcionar nos Estados Unidos. Faça um Pix para nós. É muito mais simples”, declarou.
Segundo o petista, a preocupação do governo Trump estaria ligada ao impacto do Pix sobre empresas de cartão de crédito norte-americanas que atuam no Brasil.
“Na verdade, a preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as empresas do cartão de crédito deles que estão aqui no Brasil. Acham que o Pix vai acabar com isso [...] Vai acabar mesmo, porque o Pix é de graça e é público. Ninguém paga nada. É só clicar no Pix e está resolvido o nosso problema”, disse Lula.
Sobretaxas
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu na madrugada desta terça (2) uma investigação comercial aberta contra o Brasil no meio de 2025. Com o argumento de que determinadas políticas comerciais brasileiras são "irracionais" e "oneram" o comércio americano, o USTR sugeriu impor tarifas de 25% sobre mercadorias importadas do Brasil, com algumas isenções.
Entre as práticas consideradas desleais, há menções ao sistema de pagamentos Pix e ao desmatamento na Amazônia – com parte desses dados, conforme mostrou o SBT News, referente a 2019, primeiro do governo de Jair Bolsonaro.
A decisão está lastreada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo americano abriu uma consulta pública para permitir que o governo brasileiro recorra e apresente argumentos contra a taxação. A vigência está prevista para começar em 15 de julho.















