Economia

Tarifa de 25% é injusta e Pix será protegido, diz governo

Após reunião, Alckmin e ministro da Fazenda associam recomendação dos EUA à família Bolsonaro; nota fala em "sabotagem por interesses eleitorais"

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Emanuelle Menezes
02/06/2026, 17:02 • Atualizado em 02/06/2026, 17:04
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O governo federal reagiu nesta terça-feira (2) à proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e afirmou que trabalhará para impedir que a medida entre em vigor.

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Após reunião de emergência em Brasília, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a recomendação como "extremamente injusta", enquanto o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, garantiu que o Pix será protegido pelo governo.

A proposta do USTR foi divulgada na segunda-feira (1º) após a conclusão de uma investigação comercial iniciada em julho de 2025. O órgão americano apontou supostas práticas comerciais desleais do Brasil em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.

Durante coletiva de imprensa, Alckmin rebateu ponto a ponto as alegações americanas e afirmou que o governo recebeu a recomendação com indignação.

"O Governo brasileiro recebe com indignação e entende ser extremamente injusta a recomendação, a proposta do USTR ao presidente Trump", declarou.

Governo defende Pix e acusa oposição de agir contra o país

Um dos principais focos da reação brasileira foi a menção ao Pix no relatório americano. O sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central foi citado pelo USTR ao discutir o mercado de serviços financeiros e pagamentos eletrônicos.

"O Brasil também prejudicou injustamente empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem sua principal empresa nacional", escreveu o governo norte-americano no documento.

Alckmin afirmou que o Pix é uma conquista nacional e rejeitou qualquer tentativa de questionar sua existência.

"O Pix é um patrimônio nacional, uma conquista do povo brasileiro. A tecnologia a serviço da sociedade, da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população", disse.

Na mesma linha, Dario Durigan associou a investigação americana às articulações da família Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos.

"Mais uma vez a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao Pix. O Pix mais do que está fora de debate. Ele é o maior símbolo da nossa soberania financeira. Um orgulho do nosso país, do nosso povo. Geramos uma tecnologia que é cobiçada, invejada por outros países", afirmou.

O ministro da Fazenda reforçou que o sistema será mantido independentemente do desfecho das negociações. "O Pix será protegido e resguardado pelo governo do presidente Lula", declarou.

Alckmin rebate críticas dos EUA

Ao comentar os demais pontos levantados pelo USTR, Alckmin afirmou que empresas americanas recebem tratamento igual ao de empresas brasileiras, destacou que o país possui mais de 30 instrumentos recentes de combate à corrupção e ressaltou que os Estados Unidos são os maiores beneficiários do sistema brasileiro de propriedade intelectual.

No caso do etanol, o vice-presidente lembrou que os EUA também cobram tarifas sobre o produto brasileiro e citou restrições impostas ao açúcar nacional.

Já sobre o meio ambiente, destacou a redução do desmatamento nos seis biomas brasileiros. "O Brasil tem compromisso de zerar o desmatamento até 2030", afirmou.

Alckmin também argumentou que a balança comercial favorece amplamente os Estados Unidos e que a tarifa média aplicada pelo Brasil aos produtos americanos é de apenas 3,1%.

"Totalmente descabida a recomendação. O Governo Lula vai trabalhar para que não se converta, que não ocorra", disse.

Governo aposta em diálogo e apoio do setor privado

Apesar do tom duro, o governo sinalizou que pretende manter as negociações com Washington. Segundo Alckmin, o caminho para evitar a adoção das tarifas continua sendo o diálogo.

"O caminho é o caminho do diálogo", afirmou.

O vice-presidente informou ainda que o governo pretende mobilizar empresários e entidades privadas para atuar contra as medidas propostas pelos Estados Unidos.

"Vamos unir todo mundo. União do país na defesa da soberania nacional e do interesse do povo brasileiro", declarou.

Nota oficial fala em "sabotagem" e cita Flávio Bolsonaro

Segundo o documento, a apuração aberta pelo USTR em 2025 ocorreu por "provocação da família Bolsonaro" e estaria ligada "à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington".

A nota afirma ainda que o trabalho diplomático conduzido pelo governo brasileiro vem sendo prejudicado por interesses políticos.

"É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares", diz o texto.

O governo também destacou que os Estados Unidos acumulam superávit comercial com o Brasil e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade caso as tarifas sejam efetivamente implementadas.

Próximos passos

O USTR abriu um período de consulta pública de 30 dias para receber manifestações de empresas, entidades e interessados. Uma audiência pública está marcada para 6 de julho, em Washington.

A expectativa do governo brasileiro é que as negociações em andamento impeçam a adoção das tarifas antes da decisão final prevista para 15 de julho.

Enquanto isso, Alckmin afirmou que o país continuará atuando diplomaticamente para evitar prejuízos ao comércio bilateral.

"Sempre que o diálogo avança, infelizmente falsos patriotas, sabotadores, colocam seus interesses pessoais acima do interesse do país e do interesse público", concluiu.

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