Economia

Governo Lula se prepara para nova sobretaxa dos EUA

Planalto espera anúncio de tarifa adicional de até 15% ligada a investigação sobre trabalho forçado e convoca reunião para definir estratégia de resposta

Avatar de Hariane Bittencourt
Hariane Bittencourt
O presidente Lula em evento no Sergipe | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula em evento no Sergipe | Ricardo Stuckert/PR

O governo Lula (PT) já se prepara para uma nova rodada de tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. O anúncio, esperado até amanhã (3), pode impor uma sobretaxa adicional entre 10% e 15% e está ligado a uma investigação comercial sobre suposto uso de trabalho forçado.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

No Palácio do Planalto, a expectativa é de que a medida seja anunciada pelo governo de Donald Trump e se some à tarifa de 25% comunicada nesta terça-feira (2), justificada por Washington com base em questões como desmatamento e o sistema de pagamentos Pix.

Diante do cenário, o governo convocou uma reunião nesta tarde para antecipar possíveis desdobramentos e alinhar uma resposta oficial.

A nova ameaça comercial decorre de uma investigação aberta no início do ano pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O dispositivo permite ao governo americano adotar medidas contra práticas consideradas injustas ou discriminatórias no comércio internacional.

Além do Brasil, outros 59 países são alvo da apuração. "Por muito tempo, trabalhadores e empresas americanas foram forçados a competir com produtores estrangeiros que podem ter uma vantagem de custo artificial obtida com o flagelo do trabalho forçado", afirmou o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em comunicado divulgado pelo USTR em março.

Em abril, o governo brasileiro contestou formalmente as alegações. Em documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil argumentou que eventuais sanções unilaterais seriam desproporcionais contra um país considerado referência internacional no combate ao trabalho escravo.

Entre os instrumentos citados pela diplomacia brasileira está a chamada "lista suja" do trabalho escravo, que impõe restrições reputacionais e financeiras a empresas flagradas explorando mão de obra em condições irregulares, além de impedir sua participação em licitações públicas.

A investigação americana, porém, não se restringe a supostas práticas adotadas no Brasil. O processo também analisa as relações comerciais de países investigados com nações acusadas de utilizar trabalho forçado, entre elas a China, principal rival comercial dos Estados Unidos.

Nos bastidores, interlocutores do governo brasileiro acreditam que ainda há margem para reverter a medida antes de 15 de julho. A aposta está no grupo de trabalho criado pelos dois governos no mês passado para discutir a escalada tarifária e evitar que as recomendações do USTR sejam implementadas.

Integrantes da gestão Lula avaliam que as novas ameaças tarifárias fazem parte de uma estratégia de pressão da administração Trump para ampliar seu poder de negociação e obter concessões do Brasil em temas considerados estratégicos para os Estados Unidos.

Pela legislação americana, caso o USTR conclua que um país não adotou medidas suficientes para impedir a exportação de bens produzidos com trabalho análogo à escravidão, a Casa Branca poderá impor tarifas punitivas ou outras restrições comerciais sobre esses produtos.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Ao STF, Câmara rejeita hipótese de desvios de emendas

Ao STF, Câmara rejeita hipótese de desvios de emendas

Imagem da notícia: EUA identificam militares mortos em ataque na Jordânia

EUA identificam militares mortos em ataque na Jordânia

Imagem da notícia: Lula desafia Rubio e antecipa mote: soberania e democracia

Lula desafia Rubio e antecipa mote: soberania e democracia

Imagem da notícia: Laudo indica asfixia em piloto morto após "banho de óleo"

Laudo indica asfixia em piloto morto após "banho de óleo"

Imagem da notícia: Ao STF, Câmara rejeita hipótese de desvios de emendas

Ao STF, Câmara rejeita hipótese de desvios de emendas

Imagem da notícia: EUA identificam militares mortos em ataque na Jordânia

EUA identificam militares mortos em ataque na Jordânia

Imagem da notícia: Lula desafia Rubio e antecipa mote: soberania e democracia

Lula desafia Rubio e antecipa mote: soberania e democracia

Imagem da notícia: Laudo indica asfixia em piloto morto após "banho de óleo"

Laudo indica asfixia em piloto morto após "banho de óleo"

Últimas notícias

Federação União Progressista em SP anuncia apoio a Flávio

Apoio estadual contrasta com impasse nacional; veto de Ciro Nogueira trava endosso formal ao pré-candidato do PL

Viral da Copa: Espanha é bicampeã e Brasil muda de torcida

A conquista da Espanha, as novas torcidas dos brasileiros e os assuntos que dominaram as redes marcaram a reta final da Copa do Mundo de 2026

Líder do Cartel de Sinaloa pega prisão perpétua nos EUA

Ismael 'El Mayo' Zambada, de 76 anos, admitiu ter comandado, durante décadas, o envio de milhões de quilos de cocaína para o país norte-americano

Oposição pede urgência para barrar decreto das Big Techs

Pedido é protocolado no mesmo dia em que decreto de Lula entrou em vigor

Trump impõe tarifa extra de 50% sobre produtos do Canadá

Medida entra em vigor em 30 dias e foi adotada com base na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, dispositivo que não era utilizado desde 1949

Espanha reúne 2 milhões em festa pelo título da Copa; veja

Torcedores lotaram as ruas de Madri para celebrar o bicampeonato mundial; jogadores foram recebidos pelo rei Felipe VI e pelo premiê Pedro Sánchez