Presidente do BRB diz que banco para de funcionar se projeto de Ibaneis não for aprovado
Governador do DF propõe venda de terrenos e empréstimo de R$ 6,6 bilhões para salvar banco


Cézar Feitoza
O presidente do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza, disse nesta segunda-feira (2) aos deputados distritais que o banco vai parar de funcionar caso a Câmara Legislativa não aprove um projeto de lei enviado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) para salvar a instituição financeira.
Segundo o dirigente, haverá interrupção na transferência de renda dos programas sociais do governo, paralisação do sistema de bilhetagem do transporte público e caos no pagamento de servidores públicos.
Nelson fez o diagnóstico do BRB em reunião fechada com deputados distritais na manhã desta segunda. O SBT News teve acesso aos documentos enviados pelo presidente do banco aos parlamentares.
A visita de Nelson à Câmara Legislativa do DF tinha como objetivo defender a proposta do governo de Ibaneis Rocha para salvar o BRB.
O projeto de lei prevê a possibilidade de captação de R$ 6,6 bilhões em empréstimos do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e a venda de nove terrenos do Governo de Brasília para a capitalização do banco.
A proposta enfrenta resistência de parlamentares de esquerda e de centro. Os deputados criticam o fato de Ibaneis ter atuado para viabilizar os negócios entre o Banco Master e o BRB e, agora, usar recursos públicos para cobrir o rombo da negociação fraudulenta.
Corte de gastos
O presidente do BRB disse, na reunião, que sua gestão reduziu mais de 50% das despesas, rescindiu contratos e promoveu "revisão de toda a política de patrocínios, com foco nas atividades culturais e atletas do Distrito Federal e região".
Nelson afirmou que ainda não é possível saber o tamanho do rombo deixado pelas negociações com o Master. Ele apresentou dados que mostram que o BRB comprou R$ 12 bilhões em carteiras do Master e liquidou ou substituiu R$ 10 bilhões deste valor.
"Os números maiores mencionados envolvem ativos em avaliação, alguns sem liquidez imediata. Os valores definitivos dependem da conclusão das auditorias em curso", completou.
O dirigente disse ainda que os estados que perderam seus bancos estaduais não tiveram mais instrumento de políticas econômica regional, com menos autonomia e capacidade de direcionamento de crédito.









