94% dos professores de matemática veem propósito no ofício
Pesquisa nacional aponta alta satisfação profissional, mas revela lacunas em equidade e inclusão


Levantamento ouviu mais de 57 mil professores e revelou alto grau de satisfação com a profissão | Marcos Nunes/Arquivo pessoal
De acordo com a pesquisa “Escuta Nacional dos Professores e Professoras que Ensinam Matemática”, 94% dos professores de matemática consideram seu trabalho significativo e com propósito. Além disso, mais de 91% afirmam estar satisfeitos com o próprio desempenho profissional, enquanto nove em cada dez acreditam que todos os estudantes são capazes de aprender matemática. O estudo foi realizado pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).
Apesar disso, a pesquisa mostra que os educadores de matemática se sentem mais preparados para ensinar conteúdos da disciplina do que para lidar com temas relacionados à equidade, inclusão e recomposição da aprendizagem.
Os resultados devem contribuir para o aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas ao ensino da disciplina, incluindo ações do Compromisso Nacional Toda Matemática (Comat), programas de formação docente, produção de materiais pedagógicos e iniciativas de valorização profissional, como a Olimpíada de Professores de Matemática do Brasil e a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas (OBMEP).
"Os professores que ensinam matemática expressam seu forte compromisso com os estudantes e reconhecem o valor do seu trabalho. Ao mesmo tempo, os dados mostram que esse propósito precisa vir acompanhado por melhores condições na formação inicial e continuada, nos currículos, avaliações, materiais e apoio pedagógico”, destaca Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, instituição que apoiou o projeto ao lado da Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), do Porvir e da Rede Conhecimento Social (ReCoS).
Relação entre ensino e aprendizagem
Embora a maioria dos educadores acredite no potencial de aprendizagem dos alunos, apenas quatro em cada dez concordam plenamente com essa afirmação.
A percepção sobre a própria capacidade de ensinar também apresenta nuances. Mais de 74% dos docentes afirmam que conseguem ensinar até mesmo estudantes com maiores dificuldades, desde que haja esforço e estratégias adequadas. No entanto, apenas cerca de 30% concordam totalmente com essa declaração.
O estudo mostra ainda que sete em cada dez professores reconhecem ter alguma responsabilidade quando os alunos não conseguem aprender, mas somente um em cada dez concorda plenamente com essa ideia.
As necessidades de desenvolvimento profissional também aparecem no domínio dos conteúdos matemáticos. A proporção de educadores que não se sentem confiantes em determinados conceitos é maior nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (32%), caindo para 14% nos Anos Finais e 16% no Ensino Médio.
Desafios pedagógicos em equidade e inclusão
A pesquisa indica que os professores da educação básica se sentem preparados para ensinar conteúdos matemáticos e aplicar metodologias de ensino, especialmente nas etapas mais avançadas da escolarização. Ainda assim, apontam fragilidades em áreas como inclusão, equidade e recomposição das aprendizagens.
Nos Anos Iniciais, 54% dos docentes relatam ter recebido formação sólida em fundamentos da educação, mas os índices caem para 39% em didática e 40% em conteúdos específicos de matemática. Já nos Anos Finais e no Ensino Médio, o domínio dos conteúdos é mais elevado, com formação aprofundada apontada por 70% e 72% dos professores, respectivamente.
Os maiores desafios aparecem nas questões de equidade e inclusão. Entre 33% e 39% dos docentes afirmam não ter recebido formação nessa área, enquanto menos de 20% relatam aprofundamento no tema. Como reflexo, apenas 60% dos professores dos Anos Finais e 57% dos docentes do Ensino Médio se consideram preparados para trabalhar questões relacionadas à equidade e inclusão.
A pesquisa ouviu mais de 57 mil professores de matemática na rede pública de educação básica em todo o país. O levantamento foi realizado entre 17 de março e 6 de abril de 2025, em 3.592 escolas brasileiras.
*Sob supervisão















