Casos confirmados de ebola na RD do Congo sobem para 344
Falta de vacina e violência armada deixam o país mais vulnerável para doença


Novo surto de ebola no Congo ocorre em decorrência da variante Bundibugyo | Reuters
Subiu para 344 o número de casos de ebola confirmados na República Democrática do Congo. A atualização foi feita na quarta-feira (3) pelo diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom, que também apontou para 60 mortes confirmadas pela doença.
O novo surto de ebola no Congo ocorre em decorrência da variante Bundibugyo, cepa rara da doença para a qual ainda não há vacina aprovada. Segundo Adhanom, apesar da rápida proliferação do vírus, a OMS está conseguindo controlar o cenário devido às respostas imediatas.
“O surto teve uma grande vantagem inicial e ainda estamos atrás, mas, sob a liderança do governo da República Democrática do Congo, estamos alcançando essa defasagem. O governo possui ampla experiência com ebola e já impediu 16 surtos anteriores”, disse Adhanom, que esteve no país na última semana.
Além da República Democrática do Congo, 15 infecções e uma morte por ebola foram registradas em Uganda, mas sem transmissão local confirmada. Um cidadão norte-americano que trabalhava no Congo também foi infectado, sendo transferido para a Alemanha para cuidados. Acredita-se que a exposição tenha ocorrido durante um procedimento médico em 11 de maio.
O cenário é tratado pela OMS como emergência de saúde pública de importância internacional. Para conter as infecções, a organização lançou um plano em parceria com Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África), visando o rastreamento e isolamento de casos. Equipes médicas também ampliam ensaios clínicos para desenvolver tratamentos e vacinas.
O que é ebola?
Descoberto em 1976, o agente do ebola é um vírus da família Filoviridae, do gênero Ebolavirus. Acredita-se que o vírus foi transmitido para seres humanos a partir de contato com sangue, órgãos ou fluidos corporais de animais infectados, como chimpanzés, gorilas, morcegos-gigantes, antílopes e porcos-espinho.
Até o momento, foram descritas cinco subespécies de vírus Ebola, sendo que quatro delas afetam humanos e uma delas, apenas primatas não humanos: vírus Ebola (Zaire Ebolavirus); vírus Sudão (Sudão Ebolavirus); vírus Taï Forest (Tai Forest Ebolavirus), vírus Bundibugyo (Bundibugyo Ebolavirus) e vírus Reston (Reston Ebolavirus) — este último afetando somente animais.
A transmissão acontece por meio do contato com sangue, tecidos ou fluidos corporais de animais e indivíduos infectados (incluindo cadáveres), ou a partir do contato com superfícies e objetos contaminados.
Em relação aos sintomas, são observados febre, fraqueza, diarreia, vômitos, dor abdominal, inapetência, odinofagia e manifestações hemorrágicas. O período de incubação da doença pode variar de 2 a 21 dias, com média de 5 a 10 dias para a maior parte dos casos. Segundo a OMS, o ebola é uma doença grave, com taxa de letalidade que pode chegar até os 90%.















