OMS eleva risco de surto de Ebola no Congo para "muito alto" após avanço de casos
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a República Democrática do Congo já contabiliza 82 casos confirmados da cepa do Ebola; sete mortes foram registradas


Reuters
A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou para "muito alto" o risco de a cepa Bundibugyo do Ebola se transformar em um surto nacional na República Democrática do Congo. A variante, para a qual não há vacina ou tratamento aprovado, foi declarada uma emergência de preocupação internacional no domingo (17).
"Agora estamos revisando nossa avaliação de risco para muito alto em nível nacional, alto em nível regional e baixo em nível global", disse o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a repórteres.
Casos e medidas para conter disseminação
Até o momento, há 82 casos no Congo, com sete mortes confirmadas, 177 mortes suspeitas e quase 750 casos suspeitos. A situação em Uganda é estável, com dois casos confirmados em pessoas que viajaram da RDC, um deles fatal, disse Tedros.
"O potencial de disseminação rápida desse vírus é alto, muito alto, e isso mudou toda a dinâmica", disse Abdirahman Mahamud, diretor de operações de alerta e resposta a emergências de saúde da OMS.
As medidas tomadas em Uganda, inclusive o intenso rastreamento de contatos e o cancelamento de um evento de massa, parecem ter sido eficazes para conter a disseminação do vírus, disse Tedros.
Um cidadão norte-americano que estava trabalhando no Congo foi confirmado como portador do vírus e foi transferido para a Alemanha para receber cuidados. "Também estamos cientes dos relatos de hoje sobre outro cidadão norte-americano com um contato de alto risco que foi transferido para a República Tcheca", acrescentou Tedros.
Medicamento experimental utilizado
A cientista-chefe da OMS, Sylvie Briand, disse que um tratamento antiviral chamado Obeldesivir poderia ser usado entre os contatos do Ebola para evitar que desenvolvam a doença. O Obeldesivir é um medicamento antiviral oral experimental contra a Covid da Gilead Sciences.
"Esse é um medicamento de tratamento promissor, mas ainda precisa ser implementado sob um protocolo muito, muito rigoroso", afirmou Briand.
A OMS disse que havia sinais iniciais de que a vigilância estava funcionando, pois estava detectando mais casos. No entanto, estava tendo que recuperar o atraso, já que o surto provavelmente começou há dois meses, mas só foi declarado recentemente.
"Estamos correndo atrás, para que possamos realmente tentar controlar esse surto. Como ele (o vírus) ainda está se transmitindo por enquanto, o número continuará aumentando por algum tempo", disse a representante da OMS na RDC, Anne Ancia.









