Governo Lula monitora possível encontro entre Flávio Bolsonaro e Trump e admite possibilidade de novos desgastes políticos
Gestão petista evita reagir publicamente à agenda nos Estados Unidos, mas acompanha possíveis impactos sobre eleições, big techs e segurança pública


Hariane Bittencourt
O governo Lula (PT) monitora os possíveis desdobramentos do encontro previsto para a próxima semana entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Integrantes do governo ponderam que a reunião - logo depois do encontro em Washington entre os dois presidentes - ainda não foi confirmada oficialmente pela Casa Branca. Por isso, interlocutores do Planalto e do Itamaraty dizem não ser possível saber se a iniciativa partiu diretamente de Trump ou de setores mais ideológicos da administração americana, como integrantes do Departamento de Estado.
Nos bastidores, uma reação pública contrária ao encontro está descartada. Auxiliares do presidente Lula avaliam que "o governo Trump é independente e pode receber quem quiser". Ainda assim, há preocupação com os possíveis efeitos políticos da agenda.
O entendimento dentro do governo é que o encontro pode servir como tentativa do bolsonarismo de mudar o foco da repercussão negativa causada pela revelação dos contatos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Entre os temas que tendem a entrar na pauta da reunião estão as eleições de outubro, a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301, a possibilidade de equiparar facções criminosas brasileiras a grupos terroristas e os recentes decretos do governo federal voltados à regulação das big techs.
Embora evitem admitir publicamente desconforto com a agenda, integrantes do governo reconhecem reservadamente que o principal receio é o surgimento de novos problemas políticos e diplomáticos para o Palácio do Planalto administrar.
No ano passado, por exemplo, a articulação política do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio que atualmente mora nos Estados Unidos, convergiu com a aplicação de tarifas ao Brasil. À época, ele sustentava que a sobretaxa americana era uma resposta a ações do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Histórico
Caso a visita seja confirmada, não será a primeira vez que Donald Trump recebe um aliado ideológico em meio a uma disputa eleitoral. Em maio do ano passado, o presidente americano recebeu Karol Nawrocki, então candidato à Presidência da Polônia.
Na época, Trump declarou apoio público ao conservador polonês durante a campanha. No mês seguinte, Nawrocki venceu o prefeito liberal de Varsóvia, Rafał Trzaskowski.









