Política

Gilmar paralisa julgamentos e abre embate sobre métodos de Mendonça no caso Master

Ministro do STF quer avaliar se detenções prolongadas estariam sendo usadas para pressionar delação premiada no caso Master

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O ministro do STF Gilmar Mendes | Victor Piemonte/STF
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, pediu vista das prisões do pai e do primo de Daniel Vorcaro e pretende abrir um embate sobre os métodos do relator do caso, André Mendonça.

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Segundo apurou a reportagem do SBT News, Gilmar vai avaliar se as prisões alongadas da família do ex-dono do banco Master estão sendo utilizadas para forçá-lo a uma delação premiada mais ampliada.

Para o entorno do ministro, esse método foi utilizado na Operação Lava Jato e é preciso averiguar o risco de estar sendo repetido no caso Master.

Gilmar citou o que chama de "métodos lavajatistas" no caso Master em outro momento. Ele fez referência à força-tarefa de Curitiba ao criticar vazamentos de informações sobre as investigações que atingem Vorcaro e citam dois ministros do Supremo: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

"O apelo a conceitos porosos e elásticos para a decretação de prisões preventivas recomenda um olhar crítico. Afinal, em um passado recente, essas mesmas fórmulas foram indevidamente invocadas pela força-tarefa da Lava Jato para justificar os mais variados abusos e arbitrariedades contra aqueles que, ao talante dos investigadores, eram escolhidos como alvos de persecução penal ancorada em razões políticas e ideológicas", disse o ministro em março, ao referendar a prisão preventiva de Daniel Vorcaro.

André Mendonça, ministro do STF | Divulgação
André Mendonça, ministro do STF | Divulgação

Julgamento

Nesta sexta-feira (22), Mendonça votou para transformar em prisão preventiva as detenções de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, e Felipe Vorcaro, primo. Gilmar pediu vista em ambos os casos.

Em mensagens obtidas pela Polícia Federal, Henrique Vorcaro foi pego combinando a remuneração de dois grupos supostamente criminosos chamados de “A Turma” e “Os Meninos”, que faziam os serviços de ameaças e espionagem para a organização criminosa.

Já Felipe Vorcaro é apontado como articulador financeiro do grupo e tentou fugir em um carrinho de golfe em sua casa em Trancoso (BA) ao ser abordado pela Polícia Federal.

A Polícia Federal rejeitou a colaboração premiada de Daniel Vorcaro com a alegação de que o ex-banqueiro está protegendo políticos e oferecendo menos do que os investigadores já descobriram. A Procuradoria Geral da República (PGR) segue negociando.

Argumentos

A defesa de Henrique Vorcaro argumentou ao Supremo, em petição sigilosa, que os pagamentos feitos para os integrantes da "Turma" foram interpretados de forma equivocada pela Polícia Federal.

Os advogados dizem que os repasses foram feitos a Marilson Roseno no cumprimento de contratos para a construção de um empreendimento imobiliário.

O negócio contava com a assessoria de Felipe Mourão, o Sicário, e participação de Roseno. Seria um conjunto habitacional popular em Campo Grande, bairro do Rio de Janeiro, segundo a defesa de Henrique.

A defesa diz que, com os esclarecimentos prestados, “todo o sentido das conversas muda: desde o fundamento das cobranças, até a natureza das demandas e dos imbróglios mencionados”.

Ela ainda afirma que o conteúdo das mensagens de Henrique com os integrantes da "Turma" e os muitos registros de ligações "revelam um tipo de assédio muito comuns às famílias dos presos, por seus eventuais – e por vezes temerários – credores”.

Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro | Reprodução
Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro | Reprodução

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