Justiça

Gilmar Mendes pede vista e suspende julgamento sobre prisão de primo de Vorcaro

Decano do STF tem 90 dias para analisar caso após o relator da ação, André Mendonça, votar por manter prisão

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Emanuelle Menezes
22/05/2026, 16:35 • Atualizado em 22/05/2026, 16:35
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Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do Master | Reprodução/redes sociais

Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, dono do Master | Reprodução/redes sociais

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista e suspendeu o julgamento que analisa a prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero. Com a decisão desta sexta-feira (22), o decano da Corte terá até 90 dias para devolver o caso à Segunda Turma do STF.

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Antes da interrupção do julgamento virtual, o relator do processo, ministro André Mendonça, votou por manter a prisão preventiva de Felipe. Segundo o magistrado, há indícios de que o investigado continuou atuando em operações financeiras consideradas suspeitas mesmo após fases anteriores da investigação.

Felipe Vorcaro foi preso temporariamente durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal no início do mês. A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master.

Na decisão levada ao plenário virtual, Mendonça afirmou que a Polícia Federal identificou movimentações financeiras "atípicas" e operações que somam cerca de R$ 186 milhões apenas entre fevereiro e abril de 2026. O ministro citou ainda a emissão de notas comerciais escriturais no valor de R$ 132,9 milhões e um crédito de R$ 9,1 milhões na conta pessoal de Felipe Vorcaro.

O relator destacou que a investigação aponta o uso de "contas de passagem", triangulações financeiras e sociedades de propósito específico (SPEs) para ocultar a origem dos recursos.

"As investigações identificaram a utilização de extensa rede de pessoas físicas e jurídicas, por meio das quais os mesmos sócios se repetiriam em diferentes estruturas societárias, revelando aparente mecanismo voltado à ocultação da origem, natureza e titularidade de bens e recursos financeiros", escreveu Mendonça no voto.

Segundo a Polícia Federal, Felipe Vorcaro atuaria como operador financeiro do esquema investigado e teria papel relevante na articulação de operações patrimoniais e societárias ligadas ao grupo.

Mendonça também afirmou que há risco de continuidade das supostas práticas criminosas caso o investigado responda em liberdade. Para o ministro, a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública, evitar destruição de provas e assegurar o andamento das investigações.

O voto menciona ainda mensagens obtidas pela PF em abril deste ano, nas quais Felipe e outros investigados discutiriam a criação de sociedades para "descer capital" e "descarimbar" recursos – expressões interpretadas pelos investigadores como tentativas de ocultação patrimonial.

Em outras fases, a Operação Compliance Zero já levou à prisão o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Nesta etapa, além de Felipe, a PF cumpriu mandados contra empresários e políticos, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de buscas. O parlamentar nega irregularidades.

A defesa de Felipe Cançado Vorcaro não se manifestou. Caso faça, o texto será atualizado.

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