Brasil

Operação Mute apreende mais de 500 celulares em presídios e governo promete "silenciar" unidades dominadas por facções

Ação integra programa do MJ que prevê R$ 324 milhões para elevar segurança de 138 presídios estratégicos ao padrão semelhante ao das unidades federais

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Operação Mute está em vigor desde 2023 e já revistou mais de 40 mil celas | Divulgação/MJSP
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O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) anunciou nesta sexta-feira (22) o balanço da 11ª edição da Operação Mute, ação nacional voltada ao combate à comunicação de organizações criminosas dentro dos presídios. Até a noite dessa quinta-feira (21), foram apreendidos 534 celulares em unidades prisionais de 23 estados.

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A operação integra o programa Brasil contra o Crime Organizado, anunciado pelo governo Lula (PT) na semana passada, e mobilizou quase 3 mil policiais penais entre os dias 18 e 21 de maio. Ao todo, 49 estabelecimentos prisionais passaram por revistas, com fiscalização em 2.611 celas. A ação segue até este sábado (23) e os números ainda serão atualizados.

Cerca de 8,5 mil celulares foram apreendidos em três anos da força-tarefa Mute | Divulgação/MJSP
Cerca de 8,5 mil celulares foram apreendidos em três anos da força-tarefa Mute | Divulgação/MJSP
Durante a apresentação dos resultados, o Ministério da Justiça afirmou que o foco é interromper, no curto prazo, a atuação criminosa coordenada a partir das prisões. "Nós mapeamos essas unidades e vamos silenciar essas unidades. Seja retirando os celulares, seja bloqueando os sinais de imediato nessas unidades. O objetivo é impactar, no curto prazo, a atuação criminosa desses indivíduos", afirmou o secretário Nacional de Políticas Penais, André Garcia.

O Ministério também apresentou o mapa das 138 unidades prisionais que serão contempladas pelo chamado Padrão de Segurança Máxima (PSM), modelo que pretende aproximar a estrutura dos presídios estaduais ao nível de controle existente nas penitenciárias federaisonde, segundo a pasta, não há incidência de celulares.

As unidades estratégicas estão distribuídas da seguinte forma: 23 no Norte; 45 no Nordeste; 15 no Centro-Oeste; 28 no Sudeste; e 17 no Sul. Segundo o governo, a escolha das unidades não foi aleatória, mas baseada em dados de inteligência que identificaram presídios com maior articulação de facções criminosas dentro e fora das cadeias.

Entre os equipamentos a serem entregues para as unidades estão 276 aparelhos de raio-x; 138 scanners corporais e 365 viaturas, sejam blindadas ou não. Os primeiros equipamentos começam a ser entregues a partir de junho.

Desde 2023, a Operação Mute já alcançou 680 unidades prisionais em todo o país, com mais de 40 mil celas revistadas e cerca de 8,5 mil celulares apreendidos. Tanto ela quanto a Operação Modo Avião passarão a ocorrer mensalmente, como parte de uma rotina permanente para desarticular a cadeia de comunicação entre criminosos dentro e fora dos presídios.

Brasil contra o Crime Organizado

O programa Brasil contra o Crime Organizado prevê investimentos de R$ 324 milhões em modernização tecnológica, inteligência penal e reforço dos protocolos de segurança nos presídios. Desse total, R$ 184,9 milhões já foram empenhados e executados em contratos e compras.

A iniciativa está estruturada em quatro eixos: asfixia financeira das facções, fortalecimento da segurança máxima nos presídios, qualificação das investigações de homicídios e combate ao tráfico de armas e explosivos.

Para 2026, ao todo, o programa prevê R$ 1,06 bilhão em recursos diretos, além de uma linha de crédito de R$ 10 bilhões via BNDES para investimentos em segurança pública nos estados.

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