Advogado de Vorcaro deixa defesa de ex-banqueiro
José Luis Oliveira Lima sai do caso pouco mais de dois meses depois de entrar; saída ocorre após conflitos com STF e PF


Cézar Feitoza
Basília Rodrigues
O advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A informação foi confirmada ao SBT News pelos integrantes da defesa.
A baixa na defesa de Vorcaro ocorre após decisão da Polícia Federal de rejeitar a proposta de delação premiada do banqueiro.
Juca foi o advogado comunicado pela PF no início da semana de que o acordo, do jeito que está, não passaria.
Essa é a quarta vez que há mudanças na defesa de Vorcaro. Em março, os advogados Walfrido Warde, Roberto Podval e Pierpaolo Bottini também optaram por não representar mais os interesses do Master na justiça.

Relação com André Mendonça
A relação de Juca com investigadores e com o gabinete do ministro André Mendonça, do STF, estava desgastada desde abril.
Mendonça teve uma discussão com o advogado durante audiência. A desavença foi publicada no jornal Folha de S.Paulo, e auxiliares do ministro viram ação de Juca no vazamento.
O motivo da discórdia era a desconfiança de que Vorcaro proporia uma delação premiada sem contar tudo que sabia, blindando aliados e autoridades.
Juca, em resposta, disse que se Mendonça fosse contrário à delação, levaria o caso para o plenário da Segunda Turma, onde avaliava ter dois votos favoráveis ao banqueiro.
A insatisfação na Polícia Federal foi desenvolvida em dois momentos, segundo investigadores. No primeiro, ao longo de abril, o advogado se reunia com frequência com policiais e procuradores com a promessa de enviar, em breve, uma proposta robusta de colaboração.
Os anexos da delação, porém, nunca chegavam. A PF pediu para Vorcaro voltar para o presídio federal em Brasília, diante da demora.
O segundo momento foi após a entrega dos anexos. A Polícia Federal viu na proposta uma tentativa de Vorcaro de blindar aliados e autoridades, sem confessar crimes. A corporação decidiu na quarta-feira (20) rejeitar a delação do banqueiro.









