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Análise: Lula tenta recuperar estampa de articulador geopolítico em encontro com Trump

Presidente disse que se colocou à disposição do americano para dialogar com países em guerra

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Victoria Abel
Presidente Lula e presidente dos EUA, Donald Trump, se reúnem na Casa Branca, em Washington | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula e presidente dos EUA, Donald Trump, se reúnem na Casa Branca, em Washington | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez questão de falar sobre guerra com o americano Donald Trump e se colocou à disposição para dialogar com Cuba e Irã, além de sugerir novamente a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com Lula, ele teria dito a Trump que “invasões podem causar mais prejuízo do que ele pensa”.

A postura não é à toa, Lula tenta recuperar uma imagem que foi se desbotando ao longo dos últimos anos: de um articulador geopolítico, com influência no diálogo entre países em conflito real ou iminente. A foto agora está quase pronta para ser utilizada na campanha eleitoral, se nenhuma outra rusga internacional pegar os marqueteiros de surpresa.

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“Eu disse que posso discutir sobre Cuba, sobre Irã. Para mim é mais simples, não tenho vocação belicista, tenho vocação para o diálogo. Se precisar que o Brasil converse com qualquer país sobre a interferência americana, estamos dispostos”, afirmou Lula à imprensa após o encontro com Trump.

Em seu segundo mandato, Lula investiu não apenas no relacionamento com países em desenvolvimento, fortalecendo o BRICS, mas também se envolvendo em negociações antes operadas por americanos e europeus. Em 2010, o acordo de Teerã, assinado por Irã e Turquia, procurava limitar o poder iraniano sobre o enriquecimento de urânio.

“Falei que tem que reformar a ONU. Os membros permanentes (do Conselho de Segurança) têm obrigação de fazer mudanças. Eu disse que ele poderia convocar o Conselho para discutir as guerras. E por que não aumentar o tamanho do Conselho de Segurança? O Brasil tem tamanho para isso, o México também, Egito também. A geopolítica de 2026 não é a mesma de 1945”, disse.

Desde o início do terceiro mandato, Lula vem tentando recuperar a influência internacional, mas sem grande sucesso. O cenário parece começar a mudar após o encontro bem-sucedido com o presidente de uma das duas maiores potências mundiais da atualidade.

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