Hantavírus: autoridades tentam rastrear passageiros que estavam navio
Desembarque foi realizado em 24 de abril, antes da detecção do surto; nenhuma das pessoas restantes a bordo apresenta sintomas

Sofia Pilagallo
Os 30 passageiros que desembarcaram do navio de cruzeiro "MV Hondius", atingido por um surto de hantavírus, estão sendo rastreados e monitorados por autoridades de saúde em quatro continentes, informou o jornal "The Washington Post". Até o momento, três mortes relacionadas ao episódio foram confirmadas.
Os passageiros, incluindo uma das vítimas fatais, que morreu posteriormente em um hospital de Joanesburgo, na África do Sul, desembarcaram do navio de cruzeiro em 24 de abril, antes da detecção do surto, sem que seus contatos fossem fornecidos. Agora, as autoridades se empenham para rastreá-las. Nenhum dos passageiros ou tripulantes restantes a bordo apresenta sintomas.
"Acreditamos que este será um surto limitado se as medidas de saúde pública forem implementadas e houver solidariedade entre todos os países", afirmou o Dr. Abdirahman Mahamud, diretor de alerta e resposta da OMS, na quinta-feira (7).
O vírus identificado é provavelmente a cepa Andes, um tipo de hantavírus encontrado principalmente na Argentina, da onde partiu o navio de cruzeiro, e no Chile. As autoridades investigam agora se os primeiros pacientes foram infectados na Argentina, antes de embarcar, ou durante excursões da expedição.
Investigadores argentinos suspeitam que duas das vítimas fatais do surto — um casal holandês — possam ter contraído o vírus durante uma viagem de observação de pássaros antes de embarcar no navio de cruzeiro. O homem morreu a bordo, em 11 de abril, enquanto a mulher morreu no dia 25 daquele mês, em um hospital de Joanesburgo. A outra vítima fatal é um cidadão alemão.
Transmissão e sintomas
Segundo o Ministério da Saúde brasileiro, a infecção por hantavírus, denominada hantavirose, é rara e ocorre mais frequentemente pela inalação de aerossóis, gerados a partir de urina, fezes ou saliva de roedores infectados.
Outras formas de transmissão para humanos incluem via percutânea, por escoriações na pele ou mordidas de roedores; contato do vírus com mucosas por meio de mãos contaminadas com excretas; e a transmissão direta entre pessoas, embora esta seja incomum.
Os sintomas aparecem entre uma e oito semanas após a exposição. Na fase inicial, a hantavirose causa os seguintes sintomas: febre, dor nas articulações, dor de cabeça, dor lombar, dor abdominal e sintomas gastrointestinais. Já na fase avançada, os sintomas incluem febre, dificuldade de respirar, respiração acelerada, aceleração dos batimentos cardíacos, tosse seca e pressão baixa.
A fase avançada é conhecida também como fase cardiovascular. Na América do Sul, foi observado importante comprometimento cardíaco, passando a ser denominada de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).









