Vale-refeição acaba antes do fim do mês para 44% dos trabalhadores, aponta pesquisa
Pesquisa mostra que inflação dos alimentos reduziu duração do benefício e aumentou procura por marmitas
Simone Queiroz
Quase metade dos trabalhadores brasileiros que recebem vale-refeição afirma que o benefício não dura até o fim do mês. É o que mostra a pesquisa “Retrato do Trabalhador Formal”, realizada pela Pluxee com 1.200 entrevistados em todo o país.
Segundo o levantamento, 44% dos trabalhadores dizem que o vale-refeição acaba antes do fechamento do mês. Já 62% afirmam que o vale-alimentação não é suficiente para cobrir as compras do mercado.
De acordo com Antonio Aguiar, diretor de estabelecimentos da Pluxee, a inflação dos alimentos reduziu o poder de compra do benefício.
Segundo ele, em média, o vale-refeição atualmente dura apenas dez dias. Em 2019, o mesmo benefício chegava a durar cerca de 18 dias.
“O aumento da alimentação fora do lar cresceu mais do que os reajustes concedidos pelas empresas aos colaboradores”, afirmou.
Marmita volta a ganhar espaço entre trabalhadores
Com o orçamento apertado, trabalhadores passaram a buscar alternativas para economizar o benefício. Uma delas é levar comida de casa.
O aumento da procura impulsionou negócios como a “Esquentadinha”, empreendimento criado há dez anos para oferecer micro-ondas a quem leva marmita para o trabalho. No local, os clientes pagam R$ 4 para aquecer a refeição.
A empresária Alessandra Oliveira conta que a ideia surgiu de forma improvisada. Segundo ela, no começo apenas cinco pessoas utilizavam os micro-ondas. Com o tempo, o movimento cresceu rapidamente.
“Eles vinham comer ao meio-dia e outras pessoas começaram a pedir para esquentar comida também”, relembra. Hoje, entre 150 e 200 pessoas passam diariamente pelo espaço, segundo a empresária.
Benefício é visto como complemento de renda
A pesquisa também aponta que vale-refeição e vale-alimentação estão entre os benefícios mais valorizados pelos trabalhadores brasileiros, superando até o plano de saúde em alguns casos.
Especialistas afirmam que os auxílios funcionam como complemento de renda e ajudam na retenção de funcionários.
Para a assistente de crédito Helda Oliveira, o benefício demonstra preocupação da empresa com a qualidade de vida dos trabalhadores.
“Você entende que a empresa se preocupa com o ambiente e com a qualidade do serviço”, afirmou.









