Polícia

TJSP torna réu 23 suspeitos de receber propina para atrapalhar investigações na Polícia Civil

Segundo o Ministério Público de São Paulo, grupo usava estrutura da Polícia Civil para extorquir investigados e lavar dinheiro

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A Justiça de São Paulo acolheu denúncia do Ministério Público (MPSP) e tornou réus 23 investigados, entre eles policiais civis, delegados, advogados e doleiros suspeitos de integrar um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro dentro da própria Polícia Civil de São Paulo.

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Segundo as investigações, o grupo cobrava propina para atrapalhar apurações policiais e ocultar provas. O esquema teria movimentado bilhões de reais e envolvido delegacias de setores estratégicos da corporação.

Como funcionava o esquema investigado?

De acordo com a denúncia do Ministério Público paulista, policiais usavam Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), emitidos pelo Coaf, para identificar empresários e pessoas com grande movimentação financeira.

Após acessar os dados, os suspeitos exigiam pagamentos para que essas pessoas não fossem incluídas nas investigações. A prática foi chamada pelos investigadores de “epidemia de RIFs”.

A denúncia aponta ainda que documentos foram retirados, provas escondidas e até equipamentos apreendidos teriam sido trocados para impedir o avanço das apurações.

Quais delegacias são citadas?

A investigação envolve quatro unidades consideradas estratégicas da Polícia Civil paulista:

  • 1ª Delegacia de Lavagem de Dinheiro e Combate à Corrupção do DPPC;
  • Delegacia de Estelionatos do Deic;
  • 4ª Delegacia de Crimes Cibernéticos do Deic;
  • 35º Distrito Policial, na zona sul da capital.

O hangar da Polícia Civil no Campo de Marte também aparece na investigação como suposto ponto de entrega de propina.

Quem são os principais acusados?

Entre os réus estão o delegado João Eduardo da Silva, o escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz e os policiais civis Roldnei Eduardo dos Reis Batista e Rogério Coichev Teixeira.

A denúncia também inclui advogados e doleiros suspeitos de intermediar pagamentos ilegais. Um dos nomes citados é o doleiro Leonardo Meirelles, que atuou em esquemas de corrupção investigados durante a Operação Lava Jato.

Conversas interceptadas citam milhões em propina

As provas foram encontradas em celulares apreendidos pela Polícia Federal em uma operação contra doleiros em 2023.

Segundo as investigações, diálogos interceptados mencionam pagamentos que chegariam a R$ 33 milhões. Em uma das mensagens, um investigado afirma ter ido à delegacia para tratar de um pagamento milionário. Em outra conversa, há referência a repasses de mais de R$ 200 mil ao Deic.

Investigados respondem em liberdade

A maioria dos acusados chegou a ser presa durante a operação, mas vai responder ao processo em liberdade, sob medidas cautelares.

As provas reunidas também foram encaminhadas à Polícia Federal e à Receita Federal. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos no esquema.

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