PF apura ameaças contra deputada Talíria Petrone
Parlamentar do PSOL foi alvo de ataques racistas e de violência política na internet

Talíria Petrone (PSOL-RJ) em entrevista ao programa Perspectivas | SBT News
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (3) uma operação para apurar crimes cometidos contra a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ). Segundo a PF, há suspeitas de ameaças, injúria racial, racismo e violência política praticados na internet contra a deputada e seus familiares.
Durante a ação, foi cumprido um mandado de busca e apreensão no município de Teresópolis, no Rio, expedido pela Justiça Eleitoral do Distrito Federal.
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Em nota, a deputada – que foi eleita para um terceiro mandato – afirmou que considera "fundamental que todos os inquéritos instaurados sejam conduzidos até o fim e que os responsáveis sejam identificados e punidos".
"É fundamental que o Estado dê uma resposta a esses crimes de violência política de gênero. Quando ameaças, ataques racistas e episódios de violência política não são devidamente investigados, abre-se espaço para que continuem acontecendo. Não podemos aceitar que a intimidação seja utilizada como instrumento para tentar silenciar mulheres, principalmente mulheres negras e de esquerda que ocupam espaços na política", disse Talíria.
A PF disse que a investigação iniciou em agosto deste ano, após o envio de mensagens eletrônicas contendo ameaças de morte e ataques de cunho racista e misógino direcionados à parlamentar e à sua família, além da divulgação não autorizada de dados pessoais da vítima.
“No decorrer das apurações, a Polícia Federal identificou um suspeito de autoria das mensagens, que havia sido preso posteriormente, no município de Teresópolis/RJ, por suspeita de envolvimento em outro crime. As diligências buscam reunir novos elementos para esclarecer as circunstâncias dos fatos e para aprofundar a apuração das condutas investigadas”, diz a corporação em nota.
Em março desde ano, a parlamentar já havia acionado a PF para denunciar ameaças de morte e mensagens com ofensas de cunho misógino e racista que estava recebendo.
Na época, Talíria afirmou que se tratava de um “histórico de ameaça e impunidade”. “A gente tem alguns inquéritos em aberto que, infelizmente, por diversos motivos, não tem responsabilização dos criminosos. Isso é uma autorização para que os crimes continuem acontecendo”, declarou a parlamentar.
Em agosto deste ano, Talíria relatou estar sendo novamente alvo de ataques, que tinham escalado para familiares, incluindo os filhos dela. A operação desta terça-feira tem como base as investigações iniciadas após essa nova denúncia e foi denominada de Operação Mahin, em referência a Luísa Mahin, brasileira considerada uma figura histórica da resistência contra a escravidão.
Leia nota de Talíria Petrone na íntegra:
"Estou há dez anos na vida pública e, ao longo dessa trajetória, recebi muitas ameaças. Entre elas, planos de morte articulados pela milícia, no mesmo estado em que minha amiga Marielle foi executada. Tomei conhecimento da Operação Mahin pela imprensa e considero fundamental que todos os inquéritos instaurados sejam conduzidos até o fim e que os responsáveis sejam identificados e punidos. Esses crimes não podem ser naturalizados nem ficar impunes. A violência política, o racismo e as ameaças não podem ser tratados como parte da rotina de quem exerce um mandato público.
É fundamental que o Estado dê uma resposta a esses crimes de violência política de gênero. Quando ameaças, ataques racistas e episódios de violência política não são devidamente investigados, abre-se espaço para que continuem acontecendo. Não podemos aceitar que a intimidação seja utilizada como instrumento para tentar silenciar mulheres, principalmente mulheres negras e de esquerda que ocupam espaços na política.
A nossa presença na política fortalece a democracia e contribui para avançar em pautas que são de interesse da maioria do povo brasileiro. Quanto mais mulheres ocuparem os espaços da política em nosso país, mais protegidas estaremos. Por isso, é preciso investigar e responsabilizar os envolvidos para que possamos ter paz para fazer política no Brasil".






















