Política

Moraes fala em "irregularidade isolada" de Bolsonaro, descarta prisão e diz que não há proibição de dar entrevistas

Ministro respondeu às alegações da defesa do ex-presidente e reforçou que "se houver novo descumprimento", conversão de medidas em prisão "será imediata"

F
Felipe Moraes
24/07/2025, 13:11 • Atualizado em 25/07/2025, 01:14
compartilhar

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), respondeu nesta quinta-feira (24) aos pedidos de esclarecimento da defesa de Jair Bolsonaro (PL) sobre possível descumprimento de medidas, como proibição de usar redes sociais. O magistrado afirmou que ex-presidente cometeu "irregularidade isolada". Por isso, deixou "de converter as medidas cautelares em prisão preventiva, advertindo ao réu, entretanto, que, se houver novo descumprimento, a conversão será imediata". Também disse que "inexiste qualquer proibição de concessão de entrevistas ou discursos públicos privados".

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Na decisão, Moraes citou que a "tentativa de burlar medida cautelar" relativa ao veto de utilizar plataformas digitais ocorreu quando o filho "03" do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), postou nas redes imagens de Jair dando declarações públicas e exibindo tornozeleira eletrônica. Vídeos com esse conteúdo foram replicados por diversos outros perfis.

Em resposta à defesa de Jair, Moraes citou post de Eduardo reproduzindo imagens de Bolsonaro dando declarações e mostrando tornozeleira eletrônica durante visita à Câmara | Reprodução/STF
Em resposta à defesa de Jair, Moraes citou post de Eduardo reproduzindo imagens de Bolsonaro dando declarações e mostrando tornozeleira eletrônica durante visita à Câmara | Reprodução/STF

"Na presente hipótese, na veiculação pelas redes sociais de discurso proferido por JAIR MESSIAS BOLSONARO na Câmara dos Deputados por seu filho, também investigado, momentos após o acontecimento, constata-se a tentativa de burlar a medida cautelar, demonstrando a utilização do ilícito modus operandi anteriormente citado", explicou o ministro. Nos parágrafos anteriores, relembrou estratégias das chamadas "milícias digitais" atuantes na internet a favor de Bolsonaro.

"Efetivamente, não há dúvidas de que houve descumprimento da medida cautelar imposta, uma vez que, as redes sociais do investigado EDUARDO NANTES BOLSONARO foram utilizadas a favor de JAIR MESSIAS BOLSONARO dentro do ilícito modus operandi já descrito", acrescentou. Vale lembrar que Eduardo também é investigado no novo inquérito que apura coação no curso do processo, obstrução de Justiça e ataque à soberania nacional.

Moraes salientou que "em momento algum JAIR MESSIAS BOLSONARO foi proibido de conceder entrevistas ou proferir discursos em eventos públicos ou privados, respeitados os horários estabelecidos nas medidas restritivas".

"Milícias digitais", apoiadores "coordenados" e outros investigados: hipóteses do uso de redes por terceiros

Para o ministro, medidas cautelares impostas na operação da Polícia Federal (PF) e confirmadas na decisão do STF deixam "claro que não será admitida a utilização de subterfúgios para a manutenção da prática de atividades criminosas, com a instrumentalização de entrevistas ou discursos públicos como 'material pré-fabricado' para posterior postagens nas redes sociais de terceiros previamente coordenados".

Moraes ainda esclareceu o que pode configurar como descumprimento da cautelar vetando uso de redes:

"Replicação de conteúdo de entrevista ou de discursos públicos ou privados reiterando as mesmas afirmações caracterizadoras das infrações penais que ensejaram a imposição das medidas cautelares, para que, posteriormente, por meio de 'milícias digitais', ou mesmo apoiadores políticos, ou ainda, por outros investigados, em patente coordenação, ocorra a divulgação do conteúdo ilícito previamente elaborado especialmente para ampliar a desinformação nas redes sociais."

O magistrado citou "milícias digitais", "apoiadores políticos previamente coordenados e combinados" e outros investigados em hipóteses da "utilização dolosa de redes sociais de terceiros" para "perpetuação da conduta criminosa". Nesse sentido, Moraes rejeitou argumentação de advogados de Bolsonaro:

"Não assiste razão à defesa quando aponta que 'a replicação de declarações por terceiros em redes sociais constitui desdobramento incontrolável das dinâmicas contemporâneas de comunicação digital', para concluir não poder ser atribuído a JAIR MESSIAS BOLSONARO qualquer responsabilidade por atos de terceiros", alertou.

Esses casos, segundo Moraes, podem constituir "ilícita instrumentalização das entrevistas concedidas aos órgãos de imprensa ou de discursos proferidos em público ou privado para manter o modus operandi das ações ilícitas pelas quais está sendo investigado e teve aplicada as medidas cautelares".

No fim do documento, Moraes alertou que qualquer nova violação de cautelares terá como resultado decretação imediata da prisão de Bolsonaro:

"Por se tratar de irregularidade isolada, sem notícias de outros descumprimentos até o momento, bem como das alegações da Defesa de JAIR MESSIAS BOLSONARO da 'ausência de intenção de fazê-lo, tanto que vem observando rigorosamente as regras de recolhimento impostas', deixo de converter as medidas cautelares em prisão preventiva, advertindo ao réu, entretanto, que, se houver novo descumprimento, a conversão será imediata."

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: MP apura fraudes na folha de pagamento de servidores do DF

MP apura fraudes na folha de pagamento de servidores do DF

Imagem da notícia: Meloni nega ter 'implorado' foto com Trump durante o G7

Meloni nega ter 'implorado' foto com Trump durante o G7

Imagem da notícia: Analfabetismo no Brasil cai a 4,9%, menor taxa desde 2016

Analfabetismo no Brasil cai a 4,9%, menor taxa desde 2016

Imagem da notícia: Governo vai bloquear recursos de bets ilegais

Governo vai bloquear recursos de bets ilegais

Imagem da notícia: MP apura fraudes na folha de pagamento de servidores do DF

MP apura fraudes na folha de pagamento de servidores do DF

Imagem da notícia: Meloni nega ter 'implorado' foto com Trump durante o G7

Meloni nega ter 'implorado' foto com Trump durante o G7

Imagem da notícia: Analfabetismo no Brasil cai a 4,9%, menor taxa desde 2016

Analfabetismo no Brasil cai a 4,9%, menor taxa desde 2016

Imagem da notícia: Governo vai bloquear recursos de bets ilegais

Governo vai bloquear recursos de bets ilegais

Últimas notícias

INSS: prazo para contestar descontos termina sábado (20)

Solicitação pode ser feita virtualmente ou em agências dos Correios

Lula sanciona piso salarial de R$ 5,1 mil para professores

Reajuste muda cálculo do Fundeb e define regra permanente de reajuste anual

Move Brasil: veja como aderir ao programa de financiamento

Programa para taxistas e motoristas de aplicativo oferece crédito para carros novos; saiba quem pode participar

Césio-137 na Argentina: perigo está na abertura da cápsula

Especialista alerta sobre riscos de contato com o material; cápsula roubada continha a mesma substância que provocou o acidente radiológico de Goiânia, em 1987

Brasil celebra acordo entre EUA e Irã e pede fim dos ataques

Itamaraty afirma que recebeu "com satisfação" o memorando de entendimento e defende diplomacia como caminho para a paz no Oriente Médio

Entenda por que jogadores usam protetores bucais na Copa

Cirurgião-dentista explica como infecções bucais, traumas faciais e o uso de protetores podem impactar desempenho, recuperação e segurança no esporte