Política

Mário Frias agradece a Vorcaro por dinheiro a “Dark Horse”, mostra site; ouça áudio

Gravação foi enviada pelo deputado em 11 de dezembro de 2024, mesmo dia em que Vorcaro tinha reunião prevista com Flávio Bolsonaro, segundo o Intercept Brasil

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O deputado federal Mário Frias (PL-SP) mandou um áudio ao banqueiro Daniel Vorcaro com um agradecimento fazendo menção ao filme “Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro (PL), mostra reportagem do site Intercept Brasil divulgada nesta terça-feira (19).

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A mensagem foi enviada em 11 de dezembro de 2024, mesmo dia em que o Vorcaro tinha reunião prevista com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Outras mensagens foram trocadas nos dias seguintes.

Às 18h24 daquele dia, Mário Frias mandou um áudio em que dizia: Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?”.

Em resposta, Vorcaro afirmou que estava em ligação e retornaria na sequência. O registro mostra que o banqueiro retomou o contato às 19h06 em uma ligação de voz que durou 1 minuto e 50 segundos.

Conforme o site Intercept, Vorcaro tinha uma reunião prevista naquele mesmo dia com Flávio Bolsonaro. O encontro teria sido articulado pelo publicitário Thiago Miranda, um dos intermediários do banqueiro. A reportagem não confirma se o encontro de fato ocorreu, mas mostra que Flávio se ausentou de uma reunião na Comissão de Constituição e Justiça do Senado de 17h30 às 18h, por volta do horário em que a conversa tinha sido marcada.

O contato de Frias com Vorcaro prosseguiu nos dias seguintes. Em 15 de dezembro, o deputado mostra ao banqueiro trocas de mensagens com o diretor de “Dark Horse", o norte-americano Cyrus Nowrasteh. Nelas, o diretor diz que vai conversar com o ator Jim Caviezel sobre o filme e adianta que Caviezel pedirá para ler o roteiro previamente e perguntará qual o cachê pela atuação.

Em resposta, Frias diz que o ator de Paixão de Cristo (2004) será “imortalizado pelo papel” de Jair Bolsonaro.

Já em 22 de dezembro, Frias manda uma mensagem de texto no momento em que Vorcaro dizia estar “na igreja".

“Irmão, esse filme é o grande milagre, ele será capaz de tocar o coração de milhões de pessoas em todo mundo. O planeta está despertando e o filme terá um papel histórico imprescindível para as futuras gerações. Muito obrigado. Ele é uma questão de justiça divina. Será um filme de fé e superação!", disse Frias. “Tenho certeza disso", respondeu Vorcaro.

Conforme reportagens publicadas pelo Intercept Brasil, o banqueiro teria se comprometido a pagar R$ 134 milhões para o filme, dos quais R$ 61 milhões foram efetivamente repassados.

Contratos assinados para a realização da obra também mostram que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro chegou a ter o papel de executivo com poder para mexer no orçamento. Eduardo afirma que isso aconteceu apenas na fase inicial de viabilização do projeto.

Frias, produtor-executivo do filme, negou inicialmente ter recebido qualquer dinheiro de Vorcaro e disse que "Dark Horse" era 100% custeado por recursos privados.

Diante de suspeitas de que “Dark Horse” também teria sido viabilizado com dinheiro público, por meio de emendas, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na última sexta (15) a abertura de um processo para apurar se houve irregularidades no envio de verba de Frias e dos deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-RS).

O processo provém de uma ação dos deputados Henrique Vieira Lima (Psol-RJ) e Tabata Amaral (PSB-SP). A parlamentar diz que Frias teria destinado ao menos R$ 2 milhões para a Academia Nacional de Cultura, presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, também sócia da Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”.

A suspeita é de que os produtores estariam usando diferentes empresas para esconder o rastro do dinheiro público usado na obra.

O SBT News procurou o deputado Mário Frias e a Go Up Entertainment para comentar, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.

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