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No documento, os órgãos sustentam que a decisão, relatada pelo desembargador Magid Nauef Láuar, representa afronta à Constituição e ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ao absolver o homem de 35 anos, a maioria dos magistrados considerou que havia uma relação afetiva e consensual entre ele e a menina de 12 anos. A mãe da vítima, que também respondia ao processo, foi igualmente absolvida.
Para a AGU, a Constituição deixa claro que é dever do Estado proteger crianças de qualquer forma de exploração ou violência. O órgão também argumenta que o Código Penal determina que qualquer ato sexual com menores de 14 anos é crime, independentemente de suposto consentimento. Ou seja, pela lei, crianças nessa faixa etária não têm capacidade legal para consentir com esse tipo de relação.
O pedido também menciona entendimento já consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reforça que não importa se houve concordância da vítima ou se existia relacionamento: em casos envolvendo menores de 14 anos, o crime fica configurado.
Na avaliação da AGU, ao adotar interpretação diferente, a decisão se afastou do que está previsto na legislação e do entendimento já firmado pelos tribunais superiores.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, declarou que não é possível tratar violência sexual contra criança como se fosse uma relação legítima e que decisões desse tipo enfraquecem a proteção garantida à infância.
Além de pedir a apuração da atuação dos magistrados nesse caso específico, AGU e Ministério das Mulheres solicitam que o CNJ reforce a aplicação do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, que orienta juízes a evitarem estereótipos e interpretações que possam minimizar ou relativizar situações de violência, especialmente contra mulheres e meninas.
Relembre o caso
O homem havia sido condenado em primeira instância a nove anos e quatro meses de prisão por estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos. O caso chegou à 9ª Câmara Criminal do TJMG por meio de recurso.
Ao julgar o processo, o relator Magid Nauef Láuar votou pela absolvição sob o entendimento de que existiria relação afetiva consensual entre o acusado e a vítima, tese acompanhada pelo desembargador Walner Barbosa Milward de Azevedo, formando maioria. A decisão também absolveu a mãe da criança.
A desembargadora Kárin Emmerich apresentou voto divergente, mantendo o entendimento de que a legislação não permite relativizar a vulnerabilidade de menores de 14 anos.
O caso também levou o CNJ a instaurar pedido de providências para analisar a decisão. Paralelamente, o TJMG abriu procedimento administrativo para apurar possível falta funcional, após receber denúncias de supostos abusos atribuídos ao desembargador. Até o momento, não há detalhamento público sobre o teor específico dessas acusações.
AGU e Ministério das Mulheres pedem apuração de juízes em caso de estupro de vulnerávelÓrgãos acionaram o CNJ e alegaram afronta à Constituição e ao Estatuto da Criança e do Adolescente em decisão envolvendo menina de 12 anosPolítica2026-02-26T01:34:42.307ZA Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério das Mulheres protocolaram, nesta quarta-feira (25), um pedido no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apuração da conduta Os magistrados integram a 9ª Câmara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). No documento, os órgãos sustentam que a decisão, relatada pelo desembargador Magid Nauef Láuar, representa afronta à Constituição e ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ao absolver o homem de 35 anos, a maioria dos magistrados considerou que havia uma relação afetiva e consensual entre ele e a menina de 12 anos. A mãe da vítima, que também respondia ao processo, foi igualmente absolvida. Para a AGU, a Constituição deixa claro que é dever do Estado proteger crianças de qualquer forma de exploração ou violência. O órgão também argumenta que o Código Penal determina que qualquer ato sexual com menores de 14 anos é crime, independentemente de suposto consentimento. Ou seja, pela lei, crianças nessa faixa etária não têm capacidade legal para consentir com esse tipo de relação. O pedido também menciona entendimento já consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reforça que não importa se houve concordância da vítima ou se existia relacionamento: em casos envolvendo menores de 14 anos, o crime fica configurado. Na avaliação da AGU, ao adotar interpretação diferente, a decisão se afastou do que está previsto na legislação e do entendimento já firmado pelos tribunais superiores. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, declarou que não é possível tratar violência sexual contra criança como se fosse uma relação legítima e que decisões desse tipo enfraquecem a proteção garantida à infância. Além de pedir a apuração da atuação dos magistrados nesse caso específico, AGU e Ministério das Mulheres solicitam que o CNJ reforce a aplicação do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, que orienta juízes a evitarem estereótipos e interpretações que possam minimizar ou relativizar situações de violência, especialmente contra mulheres e meninas. Relembre o caso O homem havia sido condenado em primeira instância a nove anos e quatro meses de prisão por estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos. O caso chegou à 9ª Câmara Criminal do TJMG por meio de recurso. Ao julgar o processo, o relator Magid Nauef Láuar votou pela absolvição sob o entendimento de que existiria relação afetiva consensual entre o acusado e a vítima, tese acompanhada pelo desembargador Walner Barbosa Milward de Azevedo, formando maioria. A decisão também absolveu a mãe da criança. A desembargadora Kárin Emmerich apresentou voto divergente, mantendo o entendimento de que a legislação não permite relativizar a vulnerabilidade de menores de 14 anos. Após a repercussão do julgamento, o próprio relator, em decisão monocrática nesta quarta-feira (25), O caso também levou . Paralelamente, o TJMG abriu procedimento administrativo para apurar possível falta funcional, após receber denúncias de supostos abusos atribuídos ao desembargador. Até o momento, não há detalhamento público sobre o teor específico dessas acusações.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/agu-e-ministerio-das-mulheres-pedem-apuracao-de-juizes-em-caso-de-estupro-de-vulneravel
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