Fazenda estima impacto de R$ 200 bi de "pautas-bomba"
Ao SBT News, o secretário-executivo Rogério Ceron alerta para risco fiscal e não descarta que o governo recorra ao STF, enquanto busca diálogo com o Congresso




O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou nesta quinta-feira (11) que o impacto das chamadas “pautas-bomba” em discussão no Senado pode chegar a R$ 200 bilhões. Em entrevista ao SBT News, o número dois da equipe econômica não descartou um eventual acionamento do Supremo Tribunal Federal (STF), mas ponderou que ainda há etapas a serem cumpridas no próprio Congresso antes dessa decisão.
Segundo Ceron, o país não tem condições de absorver um impacto dessa magnitude. “Não digo isso em tom alarmista, mas de forma realista. Não é o momento, e o país não suporta um impacto como esse, independentemente do mérito das propostas”, afirmou. Em seguida, ele defendeu a necessidade de reorganizar o debate e reunir os diferentes atores envolvidos. “É preciso colocar todos na mesa com sobriedade e responsabilidade para evitar problemas futuros. O Brasil já enfrenta muitos desafios e precisa manter a trajetória de avanço”, disse.
O secretário alertou que medidas dessa dimensão podem gerar efeitos contrários aos pretendidos. “Ainda que pareçam positivas para determinados setores, podem provocar consequências mais graves e prejudicar justamente aqueles que seriam beneficiados”, afirmou.
Sobre a possibilidade de recorrer ao STF, Ceron afirmou que a decisão ainda está distante.
“Há muitos passos até essa avaliação. Não tenho mandato para falar em nome do governo sobre os encaminhamentos, mas há espaço para diálogo e construção de soluções que evitem esse cenário”, disse.
Ele destacou a importância do debate público e da participação de diferentes setores, incluindo instituições financeiras. “É fundamental avaliar os impactos e riscos. Muitas vezes, uma medida aparentemente benéfica pode gerar problemas maiores”, afirmou.
Ceron também reforçou que a equipe econômica busca alternativas equilibradas. “Entendíamos que havia um desenho que atendia melhor os mais necessitados, especialmente na renegociação de dívidas. Houve tentativas de acordo, mas não avançaram. Vamos retomar o diálogo para buscar um caminho possível”, disse.
Nos bastidores, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem sinalizado cautela na tramitação das propostas. Segundo a colunista do SBT News, Victoria Abel, ele defende análise sem pressa e com diálogo, além de cobrar maior alinhamento do governo com sua base.
De acordo com o analista Ranier Bragon, o presidente do Senado avalia convocar uma sessão conjunta do Congresso na próxima semana para analisar vetos presidenciais, o que pode resultar em novas derrotas para o governo.














