Cidades

"Consultas" em dentista de milicianos, negócios de segurança e corrupção policial: as suspeitas contra Rivaldo Barbosa

Promotores do Rio de Janeiro aguardam STF sobre provas contra ex-chefe da Polícia Civil preso por execução de Marielle Franco

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Ricardo Brandt
06/06/2024, 13:25 • Atualizado em 06/06/2024, 13:25
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Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do RJ | Tomaz Silva/Agência Brasil/Arquivo

Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do RJ | Tomaz Silva/Agência Brasil/Arquivo

O delegado Rivaldo Barbosa, preso desde março acusado de participar do plano de execução da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), em 2018, tem pela frente pelo menos quatro frentes de investigação à sua espera no Rio de Janeiro. Promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) aguardam decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para obter as provas da Polícia Federal (PF) do caso, que envolvem outros possíveis crimes ligados ao ex-chefe da Polícia Civil do RJ e da Delegacia de Homicídios.

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Uma delas envolve suposta ligação com a milícia que comandava Rio das Pedras, comunidade em Jacarepaguá, berço do Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel, e onde a família Brazão explorava negócios imobiliários em sociedade com os criminosos e tinha domínio político.

Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do RJ (TCE-RJ) e ex-deputado estadual, e seu irmão Chiquinho Brazão, deputado federal, o delegado Rivaldo Barbosa e dois milicianos foram denunciados ao STF como mandantes e autores intelectuais do crime. Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram mortos em 14 de março de 2018.

Denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou ao STF que Barbosa foi parte autora do plano, por orientar os assassinos e depois atrapalhar as investigações e proteger os mandantes. O delegado é acusado de crimes de homicídio, obstrução de Justiça e lavagem de dinheiro e deve ser processado para condenação.

Preso desde 24 de março, Barbosa foi ouvido pela PF nessa terça-feira (4) e negou vínculo com milicianos, relação com os Brazão e qualquer envolvimento com a morte da vereadora. Por meio da defesa, pediu para ser processado na Justiça no Rio.

A PGR, ao denunciar os irmãos Brazao, o delegado e Robson Calixto da Fonseca, conhecido como "Peixe", que foi assessor de Domingos Brazão no TCE-RJ, e o policial militar Ronald Paulo Alves Pereira, o Major Ronald — acusado de chefiar a milícia da Muzema, na zona oeste do Rio —, recomendou que as provas de outros crimes suspeitos deveriam ser enviadas ao Rio.

Além dos elos com milicianos, há dados sobre contraventores, duas empresas do delegado e da mulher, Erika, a Mais I Consultoria Empresarial e a Armis Consultoria Empresarial Eireli, e corrupção na Delegacia de Homicídios.

O dentista da milícia

Barbosa é suspeito de ter mantido encontros secretos com chefes da milícia de Rio das Pedras no consultório de um dentista. Nos dois anos que antecederam à morte de Marielle, o então chefe da Delegacia de Homicídios foi ao local pelo menos quatro vezes, onde também eram pacientes nomes conhecidos do crime. O principal deles, Adriano Magalhães, o Capitão Adriano (morto em fevereiro de 2020, em fuga da polícia da Bahia e do Rio). Outro deles era Fininho, ligado aos irmãos Brazão.

A equipe da PF investigou as consultas, foi atrás do dentista, ouviu seu depoimento e recolheu as agendas de visitas. Não há coincidência entre consultas agendadas e registradas do delegado com os criminosos. No entanto, os documentos que serão enviados ao Gaeco destacam contradições e apontam a necessidade de aprofundar apurações. O Ministério Público do Rio já tem frentes abertas sobre alguns casos.

"Embora não haja coincidência de agendas, ao menos o encontro com Adriano ocorreu, conforme mencionado por (Rodrigo) Pimentel, em período compatível com o auge da atuação do Escritório do Crime, cuja atuação era missão de Rivaldo combater", destaca um relatório de análise da PF do caso Marielle.

Pimentel é o ex-chefe do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar (PM) do Rio, acusado de tentar atrapalhar as investigações do caso Marielle. A PF destacou contradições na versão dada por ele, supostamente para proteger Barbosa, sobre possíveis elos com milicianos. Levantou ainda dados sobre sua relação pessoal e de negócios — ambos têm empresas de segurança.

"Sendo assim, mediante a frequência em tal ambiente em período compatível com a ideação dos atos homicidas, conforme explicitado por Ronnie Lessa em sede de colaboração, se mostra no mínimo suspeito, ante a interação dos milicianos responsáveis pela área com a Família Brazão, notadamente aquele de alcunha Fininho", registra a PF em documento do inquérito da Operação Murder Inc., que prendeu Barbosa e os Brazão, em março.

"O mero fato de um delegado de tal estirpe frequentar Rio das Pedras sem ser incomodado já chama atenção", continua. Barbosa foi perguntado pela PF sobre as idas ao dentista e negou ter mantido encontro com milicianos no local.

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