Política

Lula deve vetar PL da Dosimetria em cerimônia do 8 de janeiro

Projeto aprovado pelo Congresso reduz penas de condenados pelos atos golpistas de 2023

Avatar de Camila Stucaluc
Camila Stucaluc
08/01/2026, 07:39 • Atualizado em 08/01/2026, 11:31
compartilhar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve usar a cerimônia simbólica do 8 de janeiro, realizada nesta quinta-feira (8), para vetar o PL da Dosimetria. Já aprovado pelo Congresso, o texto reduz as penas de condenados por tentativa de golpe de Estado, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

A informação foi confirmada pelo líder do PT no Senado, Jacques Wagner (RJ). Em entrevista à Rádio Sociedade, o parlamentar afirmou que “o governo é contra a dosimetria” e que “deixaria isso claro” no dia 8 — data em que a invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes, em Brasília, completa três anos.

“O governo é contra a dosimetria e, no dia 8, para não restar dúvida, ele [Lula] vai vetar aquilo que foi aprovado. Depois, vai depender do Congresso se vai derrubar ou não o veto do presidente”, disse.

Originalmente apresentado pelo deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), o PL da Dosimetria altera regras do Código Penal e da Lei de Execução Penal para reduzir penas de acordo com o tipo de condenação. O texto é visto como uma alternativa ao projeto de anistia, atualmente travado na Câmara, que prevê perdão aos condenados pelos atos antidemocráticos do 8 de janeiro de 2023.

Fica estipulado pelo texto:

  • impedir a soma de penas: quando os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito ocorrerem no mesmo contexto, aplica-se apenas a pena mais grave, o que reduz significativamente o tempo total de prisão.
  • menos pena para quem estava na multidão: se alguém cometer crimes contra a democracia em um "contexto de multidão", a pena será reduzida de um terço a dois terços. A medida se aplica só para aqueles que não tiveram papel de liderança e não participaram do financiamento dos atos.
  • flexibilizar a progressão de regime: reduz o percentual necessário para progredir de um regime mais severo para um mais brando. Para condenados primários nos crimes contra o Estado democrático de direito, independentemente de o réu ser reincidente ou usar violência, ou grave ameaça, o índice cairia para 16% do cumprimento da pena.

A proposta vale para processos já julgados ou pendentes sobre a trama golpista. É o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão por organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Caso o projeto se torne lei, a pena pode cair para três anos.

Veto e derrubada

Desde a aprovação no Legislativo, o governo federal se mostrou contra o PL. O líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que o presidente Lula iria vetar "totalmente" o projeto, uma vez que o texto pode abrir precedente para “qualquer criminoso” recorrer ao Congresso para redução de penas, o que seria um “atentado” contra o país.

Em caso de veto, integrantes do Congresso afirmam que os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já acertaram derrubar de forma prioritária a decisão de Lula. Para isso, é necessária maioria absoluta dos votos nas Casas, ou seja, 257 deputados e 41 senadores. Se derrubado, a proposta se torna lei.

Neste caso, o governo federal ainda pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). Com o tema no plenário, caberá aos ministros decidir se o texto está de acordo com a Constituição Federal. Se for observado inconstitucionalidade, a lei será anulada.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Pai é preso após chutar filha de 3 anos no Paraná

Pai é preso após chutar filha de 3 anos no Paraná

Imagem da notícia: Caso Gisele: relatos reforçam acusações contra tenente

Caso Gisele: relatos reforçam acusações contra tenente

Imagem da notícia: El Niño pode atingir intensidade histórica até o fim do ano

El Niño pode atingir intensidade histórica até o fim do ano

Imagem da notícia: Incoerência ou hipocrisia, diz Tebet em resposta a Tarcísio

Incoerência ou hipocrisia, diz Tebet em resposta a Tarcísio

Imagem da notícia: Pai é preso após chutar filha de 3 anos no Paraná

Pai é preso após chutar filha de 3 anos no Paraná

Imagem da notícia: Caso Gisele: relatos reforçam acusações contra tenente

Caso Gisele: relatos reforçam acusações contra tenente

Imagem da notícia: El Niño pode atingir intensidade histórica até o fim do ano

El Niño pode atingir intensidade histórica até o fim do ano

Imagem da notícia: Incoerência ou hipocrisia, diz Tebet em resposta a Tarcísio

Incoerência ou hipocrisia, diz Tebet em resposta a Tarcísio

Últimas notícias

Suspeito de matar Kirk demonstrou arrependimento, diz ex

Em vídeo exibido pela primeira vez em tribunal, Lance Twiggs afirmou em depoimento que Tyler Robinson entrou desespero após o crime

Organizador de transmissões da Copa morre em Gaza

Mohammad al-Waheidi fazia exibições públicas da Copa do Mundo para palestinos deslocados; ele morreu em um ataque israelense

Maioridade penal: relator propõe celas separadas a menores

Mendonça Filho, relator da proposta de redução da maioridade penal, diz que texto deve prever celas separadas para menores e texto pode ir a referendo popular

Vorcaro mandou fazer dossiê de CEO do Itaú e esposa, diz PF

Então banqueiro disse que Milton Maluhy Filho estava “causando muito problema”; documento foi produzido por Thiago Miranda, alvo de buscas nesta quinta

Incêndio em fábrica na China deixa ao menos 28 mortos

Prédio de vários andares na cidade de Jinjiang, no sudoeste do país asiático, foi consumido pelas chamas

Morre Edward Boggiss, ator de "Sandy & Junior", aos 49 anos

Conhecido por papéis em novelas da TV brasileira, o artista enfrentava um câncer; família não divulgou causa da morte