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Caso Gisele: relatos reforçam acusações contra tenente

Depoimentos inéditos obtidos pelo SBT News apontam comportamento suspeito de tenente-coronel acusado de matar a soldado Gisele

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Tenente-coronel e soldado Gisele | Reprodução

Tenente-coronel e soldado Gisele | Reprodução

A Justiça de São Paulo ouve testemunhas na fase de instrução do processo que apura a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. O principal suspeito, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, é réu por feminicídio e fraude processual.

Entre os depoimentos estão os da sargento Damiana Alves da Silva, do sargento do Corpo de Bombeiros Rodrigo Almeida Rodrigues e do capitão da Polícia Militar Rafael Aguiar.

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Colega afirma que Gisele temia ser morta

Em um dos depoimentos, a sargento Damiana Alves da Silva contou que Gisele demonstrava medo do marido e chegou a questioná-la sobre a possibilidade de ser assassinada.

Segundo a policial, a percepção era baseada no comportamento do então major Geraldo Rosa Neto.

"Nós estávamos na copa e ela perguntou pra mim se eu acreditava que ele teria coragem de matá-la, e eu disse que acreditava", afirmou. "Falei: 'Gi, antes de ele ser major, ele é um ser humano. Então eu acredito, sim, até pelos comportamentos que ele tinha'", declarou.

Bombeiro diz que posição da arma chamou atenção

O sargento do Corpo de Bombeiros Rodrigo Almeida Rodrigues, uma das primeiras pessoas a ver o corpo da policial, afirmou que estranhou a forma como a arma estava posicionada na mão de Gisele.

Segundo ele, a cena não era compatível com situações semelhantes que já havia presenciado.

"Eu precisava tirar uma foto. O mais estranho foi a arma posicionada na mão dela. Eu nunca tinha visto aquilo", afirmou.
"A pessoa dá um tiro na própria cabeça e a arma cair naquela posição ficou muito curioso para mim. Em um disparo, a arma sofre um impacto, há uma força que a projeta para longe, e a forma como ela cai também chama a atenção. Com base no que eu já vi, ela não cairia reta."

A fotografia registrada pelo bombeiro passou a integrar o conjunto de provas considerado importante para a investigação.

No mesmo depoimento, Rodrigues disse que sua equipe chegou a realizar manobras de ressuscitação na PM Gisele, logo após entrar no apartamento do casal. Neste momento, segundo o bombeiro, a policial teria demonstrado tentativa de respirar, mas, em seguida, passou a agonizar.

Capitão estranhou reação do oficial no hospital

O capitão Rafael Aguiar, que acompanhou Geraldo Rosa Neto até o Hospital das Clínicas após o disparo, também relatou comportamento considerado incomum do oficial.

Segundo ele, o tenente-coronel permaneceu no local por cerca de uma hora e meia, mas não tentou obter informações sobre o estado de saúde da esposa.

"Ele foi para lá com o intuito de ver a situação da esposa e, em nenhum momento, desembarcou do carro para saber se ela chegou com vida. A gente estranhou essa atitude", disse.

Relembre o caso

A PM Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido, tenente-coronel da corporação | Reprodução
A PM Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido, tenente-coronel da corporação | Reprodução

Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, no bairro do Brás, na região central de São Paulo, em 18 de fevereiro.

Inicialmente, o tenente-coronel afirmou que a esposa havia cometido suicídio enquanto ele tomava banho. No entanto, a investigação da Polícia Civil e os laudos periciais contestaram essa versão.

Os investigadores também apontaram indícios de manipulação da cena do crime, incluindo vestígios de sangue incompatíveis com a hipótese de suicídio e sinais de tentativa de ocultação de provas.

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