PM aposenta tenente-coronel que matou esposa em SP
Militar acusado de matar a soldado Gisele Alves estava desde abril na reserva da PM, mas transferência oficial ocorreu somente nesta quarta-feira (10)


Tenente-coronel e soldado Gisele | Reprodução
A Polícia Militar do Estado de São Paulo aposentou o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana. O militar estava desde abril na reserva da PM, mas a transferência oficial ocorreu somente nesta quarta-feira (10), com despacho publicado no Diário Oficial do Governo.
Segundo apurado pela coluna de Fabio Diamante e Robinson Cerantula, o PM deve receber mensalmente cerca de R$ 20 mil, salário da patente. O agente não conseguiu ser promovido ao posto seguinte - de coronel. Isso costuma acontecer em casos de aposentadoria em que o militar já possui tempo de serviço suficiente.
Preso desde 18 de março, o tenente-coronel será julgado pelo Tribunal do Júri em julgamento ainda sem data marcada. A primeira audiência com depoimentos de testemunhas está marcada para 29 de junho.
O assassinato ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal vivia havia cerca de um mês, na região central de São Paulo. A vítima, a policial Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do imóvel. Geraldo Leite Rosa Neto foi indiciado por feminicídio e fraude processual.
Investigação apontou feminicídio
Para os investigadores, o tenente-coronel matou a mulher e alterou a cena do crime. Quando Gisele foi encontrada morta, o tenente-coronel disse que a soldado se matou, enquanto ele estava no banho, depois de uma conversa sobre um possível divórcio. A bala que atingiu a policial saiu da arma do tenente-coronel, conforme as investigações.
Segundo os peritos, a versão foi desmontada pela posição do corpo de Gisele quando os bombeiros chegaram. Ela estava caída no chão da sala, entre o móvel da TV e um sofá. A posição das pernas e dos pés, um deles embaixo do móvel, o local da poça de sangue, e a posição da arma, encaixada na mão de Gisele, para os peritos, são sinais evidentes de que a cena não era de um suicídio.
Os peritos derrubaram ainda uma outra versão contada pelo tenente-coronel. Os legistas constataram que Gisele teve relação sexual antes de ser morta. Para justificar o fim do casamento, o oficial da PM disse em depoimento que os dois já não tinham mais um relacionamento e que dormiam em camas separadas havia 6 meses.
A versão sobre o momento da morte também foi atacada. Um primeiro laudo do Instituto Médico Legal (IML) já havia encontrado no pescoço e no rosto de Gisele marcas "de lesões contundentes por meio de pressão digital e escoriação", ou seja, ela teria sofrido uma espécie de esganadura. Agora, os peritos concluíram que ela foi imobilizada pelo pescoço, e que estava desmaiada no momento do disparo. Vestígios de sangue foram encontrados no banheiro e em outros cômodos do apartamento.
O comportamento do oficial da PM também chamou a atenção dos investigadores. Uma vizinha disse que ouviu o disparo às 7h30 da manhã, mas o tenente-coronel só fez a primeira ligação para pedir socorro meia hora mais tarde.
"Qualquer hora me mata"
Em busca por justiça, a família de Gisele fez vir à tona a perseguição que ela sofria no casamento. Mensagens enviadas pela soldado a uma amiga, em dezembro do ano passado, reforçam que a policial vivia um relacionamento conturbado e demonstrava medo do comportamento do marido.
Outro elemento que passou a integrar o inquérito é um áudio enviado por Gisele ao pai, em que ela demonstra a intenção de se mudar para um local mais próximo da família.
Na gravação, a policial explica que buscava uma casa que facilitasse a rotina de trabalho e os cuidados com a filha:
"Quanto mais perto daí, melhor. De manhã eu vou sair muito cedo para ir trabalhar", diz em um trecho.
Para a defesa da família, o conteúdo reforça que Gisele pretendia deixar o apartamento onde vivia com o marido.















