Associação dos delegados da PF vê risco para caso Master
Em entrevista ao SBT News, presidente da entidade dos delegados da PF diz que corporação aprendeu com anulações, segue protocolos e atua com preocupação
Basília Rodrigues , Valentina Moreira
Daniel Vorcaro | Divulgação/Banco Master
Considerada a operação da Polícia Federal de maior impacto político do momento, o caso Master não está blindado de possíveis anulações na justiça, na avaliação do presidente da Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva.
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“Com tantas especulações, com tantas desconfianças e a parte eleitoral envolvida nos interesses, como eu vou dizer que a Compliance Zero não vai ser anulada depois? Eu não duvido”, disse em entrevista ao programa Sala de Imprensa.
Paiva, que é delegado da PF há 19 anos e comanda a entidade que representa a categoria pela segunda vez, comparou o Master com a Lava Jato. A operação, que investigou o esquema de corrupção na Petrobras, teve partes anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), porque o então juiz do caso, Sérgio Moro, foi considerado incompetente para julgar os investigados.
“Se falássemos oito anos atrás que a Lava Jato seria anulada, eu diria que não. A Lava Jato não inventou a corrupção. Ela foi anulada por questões procedimentais que não foram causadas pela Polícia Federal. Somos muito orgulhosos pelo trabalho que fizemos na Lava Jato”, disse. “Na avaliação dos delegados, nós não cometemos erros na Lava Jato. Se alguém cometeu, não foi a Polícia Federal”, defendeu.
A Polícia Federal coleciona casos de anulação de investigações que abalaram a estrutura do poder político e econômico do país. Satiagraha (2004), Castelo de Areia (2009), Métis (2016) são alguns exemplos de operações da PF anuladas.
O dirigente dos delegados da PF observa que o histórico de operações anuladas influencia a definição atual dos métodos de investigação, para evitar que ações bem-sucedidas repitam o mesmo caminho. Ele destaca que não há uso de agentes externos à polícia, nem conduções coercitivas ou investigações baseadas em denúncias anônimas, e que o vazamento de informações não interessa à Polícia Federal, exemplos do que já justificou a anulação de operações antigas.
“Um inquérito policial passa por vários setores, não está só dentro da polícia. Passa pela defesa, ministério público, judiciário, muitos lugares. Então por que o vazamento é automaticamente da Polícia Federal? Muitas vezes não foi, e se for que essas pessoas paguem pelo que fizeram de errado."
A edição desta semana do Sala de Imprensa está disponível no SBT News, pela TV, YouTube e redes.
Associação dos delegados da PF vê risco para caso MasterEm entrevista ao SBT News, presidente da entidade dos delegados da PF diz que corporação aprendeu com anulações, segue protocolos e atua com preocupação
Política2026-07-25T18:22:55.945ZConsiderada a operação da Polícia Federal de maior impacto político do momento, o caso Master não está blindado de possíveis anulações na justiça, na avaliação do presidente da Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva. “Com tantas especulações, com tantas desconfianças e a parte eleitoral envolvida nos interesses, como eu vou dizer que a Compliance Zero não vai ser anulada depois? Eu não duvido”, disse em entrevista ao programa Sala de Imprensa. Paiva, que é delegado da PF há 19 anos e comanda a entidade que representa a categoria pela segunda vez, comparou o Master com a Lava Jato. A operação, que investigou o esquema de corrupção na Petrobras, teve partes anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), porque o então juiz do caso, Sérgio Moro, foi considerado incompetente para julgar os investigados. “Se falássemos oito anos atrás que a Lava Jato seria anulada, eu diria que não. A Lava Jato não inventou a corrupção. Ela foi anulada por questões procedimentais que não foram causadas pela Polícia Federal. Somos muito orgulhosos pelo trabalho que fizemos na Lava Jato”, disse. “Na avaliação dos delegados, nós não cometemos erros na Lava Jato. Se alguém cometeu, não foi a Polícia Federal”, defendeu.
A Polícia Federal coleciona casos de anulação de investigações que abalaram a estrutura do poder político e econômico do país. Satiagraha (2004), Castelo de Areia (2009), Métis (2016) são alguns exemplos de operações da PF anuladas. O dirigente dos delegados da PF observa que o histórico de operações anuladas influencia a definição atual dos métodos de investigação, para evitar que ações bem-sucedidas repitam o mesmo caminho. Ele destaca que não há uso de agentes externos à polícia, nem conduções coercitivas ou investigações baseadas em denúncias anônimas, e que o vazamento de informações não interessa à Polícia Federal, exemplos do que já justificou a anulação de operações antigas. “Um inquérito policial passa por vários setores, não está só dentro da polícia. Passa pela defesa, ministério público, judiciário, muitos lugares. Então por que o vazamento é automaticamente da Polícia Federal? Muitas vezes não foi, e se for que essas pessoas paguem pelo que fizeram de errado." A edição desta semana do Sala de Imprensa está disponível no SBT News, pela TV e redes.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/associacao-dos-delegados-da-pf-ve-risco-para-caso-master