Polícia

Caso Gisele: antes de ser morta, PM confrontou marido sobre denúncias de assédio

Mensagens de celular apontam que esposa queria divórcio e suspeitava de traição do tenente-coronel, réu por feminicídio

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Mensagens extraídas dos celulares da soldado Gisele Alves Santana e do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto revelam que ela já sabia de denúncias de assédio contra o marido e suspeitava de traição antes de ser morta. O oficial da Polícia Militar está preso há nove dias e responde por feminicídio.

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As conversas obtidas pela Polícia Civil indicam que Gisele confrontou o marido sobre denúncias feitas contra ele dentro da corporação. Em uma das mensagens, ela questiona: “Não estava falando de fofocas, perguntei sobre denúncias, você é meu marido, tenho o direito de saber.”

O tenente-coronel nega as acusações e afirma que eventuais denúncias seriam sigilosas.

A perícia identificou que o oficial apagou mensagens do celular da vítima que indicariam a intenção de Gisele de se divorciar. Os conteúdos foram recuperados e passaram a integrar as provas da investigação.

Horas antes de morrer, a policial escreveu: “Tenho a minha dignidade. Pode entrar com o pedido essa semana.”

As mensagens também mostram que Gisele desconfiava de um relacionamento do marido com outra policial militar. Ela menciona movimentações frequentes dele em uma unidade onde a suposta envolvida trabalhava.

Relação era marcada por conflitos e ciúmes

Segundo a investigação, o relacionamento era conturbado. O tenente-coronel demonstrava comportamento controlador, chegando a impor regras sobre roupas e comportamento da esposa dentro da corporação.

Em uma das mensagens, ele escreveu: “Não usar roupas, fardas coladas.”

Durante interrogatório, já preso, o oficial mencionou a vida sexual como um dos fatores de crise no casamento. As mensagens de Gisele, no entanto, indicam insatisfação com a frequência das relações: “Com você, pra mim, está sendo sexo uma vez por mês… 19 segundos.”

Procurada, a defesa de Geraldo Leite Rosa Neto não se pronunciou.

A Polícia Militar de São Paulo informou que, após a conclusão das investigações, o comando-geral vai avaliar a abertura de um procedimento administrativo que pode resultar no desligamento do oficial da corporação.

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