Exclusivo: novos trechos de depoimento revelam contradições de tenente acusado de matar PM Gisele
Conteúdo obtido com exclusividade mostra divergências na versão apresentada por PM Geraldo


Fabio Diamante
Robinson Cerantula
Novos trechos da gravação feita pela Polícia Civil revelam contradições no depoimento do tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, Gisele Alves Santana. O material levanta dúvidas sobre a versão apresentada pelo oficial.
Preso e réu por feminicídio e fraude processual, Geraldo nega contato com o corpo, mas há vestígios de sangue e divergências sobre a arma e o socorro.
A análise pericial identificou vestígios em uma bermuda, toalha, torneiras, paredes e no box do banheiro. O oficial atribuiu as marcas ao atendimento prestado pelos bombeiros.
Tenente: “Eu não encostei no corpo em nenhum momento, nem no corpo, nem na arma”
Delegado: "Então, se encontrar, se você quer falar que se a perícia encontrar alguma mancha de sangue no chão do banheiro, seria decorrente do bombeiro?
Tenente: "Eu acredito que sim, porque minha não é, porque eu pisei lá."
Falas sobre gastos de Gisele levantaram suspeitas
O oficial da PM, que está preso acusado de feminicídio e fraude processual, fez questão de falar em detalhes sobre dinheiro. Para os investigadores, foi uma tentativa de inverter os papéis.
"Ela fez prótese de silicone, rinoplastia, afinou o nariz e o deixou empinado, tirou as bochechas por dentro para ficar com o rosto fininho, o que se chama bichectomia, aplicou botox no rosto e preenchimento labial para a boca ficar maior. Com isso, ela gastou, segundo ela, cerca de R$ 40.000 e fez um empréstimo bancário para isso, dividido em 10 anos, disse Geraldo.
Demora em pedir socorro e contradições sobre a arma com Gisele
Segundo investigadores, alguns pontos do depoimento chamaram a atenção: a demora de cerca de 30 minutos para acionar socorro e a ausência de tentativa de primeiros socorros
A perícia também alegou contradições sobre a posição da arma no local. A forma como os bombeiros chegaram foi o primeiro sinal de alerta que aquilo não era um caso de suicídio.
Delegado: "Você não fez nenhum tipo de primeiro socorro nela, né?
Tenente: "Eu tinha noção de que ela ia morrer! Um tiro na cabeça, disparado por uma arma calibre (40), tem chance mínima de sobrevivência.
Delegado: “Quando você encontrou o corpo, a arma estava na mão dela?"
Tenente: "Estava sim."
Delegado: "Na reconstituição, você falou que a arma não estava na mão."
Tenente: "Jamais! Se falaram isso, colocaram palavras na minha boca."
O caso
Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro. O tenente-coronel disse que a soldado se matou, enquanto ele estava no banho, depois de uma conversa sobre um possível divórcio. A soldado teria usado a arma do marido.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil de São Paulo. O oficial está preso e responde por feminicídio e fraude processual.








