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Senado paraguaio aprova impeachment de Santiago Peña

Ex-presidente foi afastado após escândalo envolvendo o banco Ueno, que entrou em liquidação e deixou 3 milhões de clientes sem acesso às contas

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Por Vicklin Moraes
Parlamentares paraguaios durante uma sessão extraordinária para analisar o processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, em Assunção  | César Olmedo/Reuters

Parlamentares paraguaios durante uma sessão extraordinária para analisar o processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, em Assunção | César Olmedo/Reuters

O Senado do Paraguai aprovou o impeachment do agora ex-presidente Santiago Peña. Foram 44 votos a favor e uma abstenção. Com a decisão, a Presidência passa a ser ocupada pelo vice-presidente Pedro Alliana.

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Peña passou a ser alvo do Congresso após vir à público o seu envolvimento no escândalo financeiro do banco Ueno, que administrava US$ 850 milhões em recursos públicos, inclusive US$ 355 milhões relacionados ao Instituto de Previdência Social paraguaio. A instituição financeira entrou em regime de liquidação, deixando 3 milhões de clientes sem acesso às contas.

O ex-presidente assumiu o cargo em agosto de 2023. Mesmo assim, continuou sendo sócio do Grupo Vázquez, conglomerado empresarial que controla o Ueno, até março de 2025.

Peña não participou da sessão no Congresso que tratou do processo de impeachment. Compareceram ao Senado apenas os responsáveis por sua defesa, Ricardo Preda e Adolfo Ferreiro. Os advogados negaram que o presidente tenha enriquecido ilicitamente por sua ligação com o Ueno. Segundo eles, o órgão constitucionalmente competente para auditar e decidir sobre os bens de funcionários públicos — a Controladoria-Geral da República — já havia descartado essa possibilidade.

A defesa também rebateu as acusações de suposta interferência indevida no Instituto de Previdência Social, alegando que a denúncia formulada pela Câmara dos Deputados carece de elementos factuais para sustentá-la. Segundo os advogados, nenhum trecho do texto identifica as pessoas com quem Santiago Peña supostamente conversou, nem os funcionários a quem ele teria dado instruções específicas, estabelecido prazos ou imposto procedimentos administrativos ilegais.

Peña também é investigado criminalmente pelo Ministério Público por seu envolvimento no escândalo do banco Ueno.

O ex-presidente havia renunciado ao cargo na quinta-feira (5), após perder o apoio da bancada do Partido Colorado no Congresso, enquanto a Câmara dos Deputados se preparava para votar a abertura do processo de impeachment. Os parlamentares, no entanto, rejeitaram a renúncia. Opositores e integrantes da própria base governista defendiam o afastamento para impedir que o ex-presidente mantivesse o foro privilegiado.

A renúncia não impediu o avanço do processo, cuja abertura foi aprovada por unanimidade pelos 78 deputados presentes.

A crise política se espalhou pelas ruas do Paraguai, com manifestantes se reunindo no centro de Assunção para exigir que os responsáveis pelo colapso do Ueno sejam punidos e que os clientes recebam seu dinheiro o quanto antes.

Novo capítulo na política paraguaia

Com a aprovação do impeachment, Peña se torna o terceiro presidente do Paraguai a deixar o cargo antes do fim do mandato desde o encerramento da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

Eleito em 2023, Peña assumiu a Presidência em agosto daquele ano, com mandato previsto até 2028. Sua eleição representou a continuidade do domínio do Partido Colorado, no poder há quase sete décadas, incluindo o período da ditadura de Stroessner. A única interrupção ocorreu entre 2008 e 2012, durante o governo do ex-bispo de esquerda Fernando Lugo, também afastado por impeachment. O partido, no entanto, exerce influência na política paraguaia desde o século 19.

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