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Quem é Pedro Alliana, que deve assumir o Paraguai

Vice de Santiago Peña, que anunciou renúncia nesta quinta-feira (5), é dirigente do Partido Colorado e foi jogador de basquete

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Por SBT News
Pedro Alliana, vice-presidente do Paraguai    Foto: @pedroalliana no Instagram

Pedro Alliana, vice-presidente do Paraguai Foto: @pedroalliana no Instagram

Vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana deve assumir o comando do país após a renúncia de Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5), em meio à crise provocada pelo fechamento do banco digital Ueno.

A saída do presidente ocorreu no mesmo dia em que o Congresso iniciou a discussão de um pedido de impeachment contra ele e seu vice, em meio à pressão de parlamentares da oposição e de integrantes da própria base governista.

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Integrante do Partido Colorado, uma das principais forças políticas do país, Alliana tem 52 anos e acumula passagens pelos poderes Executivo e Legislativo. Ele foi governador do departamento de Ñeembucú entre 2008 e 2012 e deputado nacional entre 2013 e 2023. Durante esse período, também presidiu a Câmara dos Deputados e comandou o Partido Colorado, entre 2016 e 2023.

Antes de ingressar na política, Alliana também teve uma trajetória no basquete. Durante a adolescência, praticou o esporte e disputou torneios nacionais. Em 1991, aos 17 anos, integrou a seleção paraguaia de basquete.

Nascido em 19 de fevereiro de 1974, na cidade de Pilar, Alliana chegou à vice-presidência em 2023, como companheiro de chapa de Peña. Antes de se consolidar no Partido Colorado, teve passagem pelo Partido Encuentro Nacional. Ao longo da carreira, tornou-se uma das principais lideranças do grupo político ligado ao ex-presidente Horacio Cartes, que também exerce influência sobre o atual governo.

Alliana também ganhou projeção na política externa ao representar o governo paraguaio em uma crise diplomática com o Brasil, em julho de 2026. O episódio começou depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mencionou a Guerra do Paraguai ao defender investimentos nas Forças Armadas. “Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, um dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina”, afirmou o petista.

A declaração provocou reação em Assunção, que convocou o embaixador brasileiro e entregou uma nota de repúdio. “A distorção dos fatos históricos não contribui para consolidar o futuro comum de nossos povos”, declarou o vice-presidente. Ele afirmou, porém, que o embaixador havia esclarecido que Lula não teve intenção de ofender o Paraguai e disse que o governo não pretendia aprofundar a crise.

Em abril de 2026, Alliana confirmou sua pré-candidatura à Presidência nas eleições de 2028, com o apoio de Cartes e do próprio Peña. A eventual chegada ao comando do Executivo, portanto, pode antecipar sua entrada na disputa pelo poder no país.

Como funciona a sucessão

Com o anúncio da renúncia de Peña, o próximo passo é a formalização do pedido perante o Congresso paraguaio. Pela Constituição do país, cabe ao Legislativo aceitar ou rejeitar a renúncia do presidente da República.

Se a renúncia for aceita, Alliana assume imediatamente o comando do Executivo. Não há necessidade de convocar novas eleições presidenciais nem de escolher outro nome para ocupar a Presidência.

Com a posse de Alliana, a Vice-Presidência ficará vaga. Nesse caso, a Constituição também estabelece um procedimento específico para a escolha do substituto. Como o atual mandato começou em 15 de agosto de 2023 e termina em 15 de agosto de 2028, a vacância ocorrerá nos dois últimos anos do período presidencial.

O artigo 234 determina que, quando a vaga na Vice-Presidência acontece nos três primeiros anos do mandato, é preciso convocar uma eleição para escolher o substituto. Nos dois últimos anos, porém, a escolha cabe ao Congresso Nacional, por maioria absoluta de seus integrantes. No caso atual, isso significa reunir ao menos 63 votos, considerando os 125 parlamentares das duas Casas: 45 senadores e 80 deputados.

O nome escolhido ocupará a Vice-Presidência até o fim do mandato, em agosto de 2028. Portanto, não haverá eleição popular para substituir Alliana nesse cargo.

A situação tem precedentes recentes no Paraguai. Em 2012, após a destituição de Fernando Lugo por meio de um processo de impeachment, o então vice-presidente Federico Franco assumiu a Presidência. O Congresso escolheu Óscar Denis Sánchez para ocupar a Vice-Presidência até o fim do mandato. Em 2018, após a renúncia do vice-presidente Juan Afara, o Legislativo designou Alicia Pucheta para completar o período.

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