ICE influenciou voto de brasileiros nos EUA, diz deputada
Priscila Souza, reeleita em Massachusetts, afirma que excessos nas operações migratórias levaram até eleitores conservadores a apoiar candidatos democratas
As ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) influenciaram o comportamento eleitoral da comunidade brasileira nas eleições legislativas de meio de mandato, segundo a deputada estadual Priscila Souza, reeleita em Massachusetts pelo Partido Democrata. Em entrevista ao News Manhã, no SBT News, a parlamentar afirmou que os excessos nas operações migratórias mobilizaram eleitores, inclusive aqueles com posições conservadoras.
"Eu acho que essa eleição foi menos sobre ideologia política e mais sobre o que estava acontecendo na nossa comunidade", afirmou Priscila. Segundo ela, a atuação dos agentes de imigração teve impacto na disputa pelo governo de Massachusetts. O candidato republicano era aliado do presidente Donald Trump e apoiava as operações migratórias. Por isso, parte dos brasileiros, mesmo conservadores, optou pela candidata democrata.
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A deputada destacou que as operações atingiram pessoas sem passagens pela polícia. "Todo mundo tem alguém na família, algum conhecido, e são pessoas sem antecedentes criminais", declarou. Ela também lembrou que a promessa inicial do governo Trump era concentrar as ações na captura de criminosos considerados perigosos, mas que trabalhadores que prestam serviços à população americana também passaram a ser alvos.
"Pegando o trabalhador, a pessoa que atende o cidadão americano na farmácia, no café. E aí não caiu bem", avaliou. Priscila argumentou ainda que muitos imigrantes vivem em situação irregular porque não encontram caminhos legais para regularizar a permanência no país. "As pessoas estão aqui trabalhando, estão aqui pagando seus impostos, estão aqui contribuindo para a comunidade e ajudando a economia americana a crescer", afirmou.
Priscila Sousa foi reeleita deputada estadual em Massachusetts | Reprodução
Trajetória de imigrante
Nascida em Ipatinga, em Minas Gerais, Priscila chegou aos Estados Unidos em 1995, acompanhada dos pais. Ela contou que viveu nove anos e meio sem documentação e trabalhou em atividades como limpeza de casas, remoção de entulho e serviços noturnos em escritórios.
"Minha história é muito semelhante com a história dos meus eleitores, o povo que eu represento hoje", afirmou. Depois de ingressar na universidade e se formar em ciência política, começou a participar de iniciativas políticas e, posteriormente, passou a disputar eleições. Atualmente, além do mandato, cursa mestrado em Harvard.
Onda azul e futuro democrata
Ao analisar o avanço democrata nas eleições, Priscila classificou o movimento como histórico e disse que o resultado reflete insatisfações que vão além da política migratória. Ela mencionou cortes em recursos destinados à saúde, redução de benefícios sociais e aumento do custo de vida.
"É um momento de muita esperança, porque eu tô vendo o povo que eu sirvo sofrer", declarou. A deputada ponderou, no entanto, que ainda é necessário compreender as motivações dos eleitores. "Foi revolta, foi vontade, foi necessidade de mudar, foi realmente uma mudança orgânica mais pra esquerda? Então vamos ver, porque eu acho que isso vai ditar muito o futuro do país", avaliou.
Sobre possíveis lideranças democratas para os próximos anos, Priscila mencionou James Talarico, do Texas, Jon Ossoff, da Geórgia, e Pete Buttigieg, ex-secretário de Transportes dos Estados Unidos. Sobre Talarico, destacou sua atuação junto ao eleitorado religioso: "Ele tem aberto esses espaços para os evangélicos explorarem a esquerda também, dentro do contexto bíblico".
ICE influenciou voto de brasileiros nos EUA, diz deputadaPriscila Souza, reeleita em Massachusetts, afirma que excessos nas operações migratórias levaram até eleitores conservadores a apoiar candidatos democratasMundo2026-11-05T15:02:06.174ZAs ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) influenciaram o comportamento eleitoral da comunidade brasileira nas eleições legislativas de meio de mandato, segundo a deputada estadual Priscila Souza, reeleita em Massachusetts pelo Partido Democrata. Em entrevista ao News Manhã, no SBT News, a parlamentar afirmou que os excessos nas operações migratórias mobilizaram eleitores, inclusive aqueles com posições conservadoras. "Eu acho que essa eleição foi menos sobre ideologia política e mais sobre o que estava acontecendo na nossa comunidade", afirmou Priscila. Segundo ela, a atuação dos agentes de imigração teve impacto na disputa pelo governo de Massachusetts. O candidato republicano era aliado do presidente Donald Trump e apoiava as operações migratórias. Por isso, parte dos brasileiros, mesmo conservadores, optou pela candidata democrata. 🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! . A deputada destacou que as operações atingiram pessoas sem passagens pela polícia. "Todo mundo tem alguém na família, algum conhecido, e são pessoas sem antecedentes criminais", declarou. Ela também lembrou que a promessa inicial do governo Trump era concentrar as ações na captura de criminosos considerados perigosos, mas que trabalhadores que prestam serviços à população americana também passaram a ser alvos. "Pegando o trabalhador, a pessoa que atende o cidadão americano na farmácia, no café. E aí não caiu bem", avaliou. Priscila argumentou ainda que muitos imigrantes vivem em situação irregular porque não encontram caminhos legais para regularizar a permanência no país. "As pessoas estão aqui trabalhando, estão aqui pagando seus impostos, estão aqui contribuindo para a comunidade e ajudando a economia americana a crescer", afirmou. Trajetória de imigrante Nascida em Ipatinga, em Minas Gerais, Priscila chegou aos Estados Unidos em 1995, acompanhada dos pais. Ela contou que viveu nove anos e meio sem documentação e trabalhou em atividades como limpeza de casas, remoção de entulho e serviços noturnos em escritórios. "Minha história é muito semelhante com a história dos meus eleitores, o povo que eu represento hoje", afirmou. Depois de ingressar na universidade e se formar em ciência política, começou a participar de iniciativas políticas e, posteriormente, passou a disputar eleições. Atualmente, além do mandato, cursa mestrado em Harvard. Onda azul e futuro democrata Ao analisar o avanço democrata nas eleições, Priscila classificou o movimento como histórico e disse que o resultado reflete insatisfações que vão além da política migratória. Ela mencionou cortes em recursos destinados à saúde, redução de benefícios sociais e aumento do custo de vida. "É um momento de muita esperança, porque eu tô vendo o povo que eu sirvo sofrer", declarou. A deputada ponderou, no entanto, que ainda é necessário compreender as motivações dos eleitores. "Foi revolta, foi vontade, foi necessidade de mudar, foi realmente uma mudança orgânica mais pra esquerda? Então vamos ver, porque eu acho que isso vai ditar muito o futuro do país", avaliou. Sobre possíveis lideranças democratas para os próximos anos, Priscila mencionou James Talarico, do Texas, Jon Ossoff, da Geórgia, e Pete Buttigieg, ex-secretário de Transportes dos Estados Unidos. Sobre Talarico, destacou sua atuação junto ao eleitorado religioso: "Ele tem aberto esses espaços para os evangélicos explorarem a esquerda também, dentro do contexto bíblico".São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/acoes-ice-influenciaram-voto-brasileiros-eua
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