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Peña renuncia à Presidência do Paraguai em meio à crise

Saída ocorre logo depois do pedido de impeachment ser apoiado por oposição e aliados do governo após fechamento do banco digital Ueno

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Por Caroline Vale
Presidente do Paraguai, Santiago Peña, discursa na ONU 23 de setembro de 2026 | Foto: REUTERS/CAITLIN OCHS

Presidente do Paraguai, Santiago Peña, discursa na ONU 23 de setembro de 2026 | Foto: REUTERS/CAITLIN OCHS

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo, em meio à crise envolvendo o banco digital Ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios recursos. A saída ocorre no mesmo dia em que o Congresso iniciou a discussão de um pedido de impeachment contra o chefe do Executivo e seu vice.

Peña anunciou sua renúncia em um pronunciamento nas redes sociais. O político afirmou que decidiu deixar a Presidência em nome da estabilidade do país, da paz social e da preservação das instituições democráticas. Durante o discurso, também pediu desculpas à população por eventuais falhas durante seu governo.

“Decidi apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou.

O presidente também afirmou que sua prioridade é garantir a tranquilidade dos paraguaios que mantinham recursos depositados no sistema financeiro. Segundo ele, é necessário assegurar a devolução do dinheiro aos correntistas e proteger os recursos públicos. “Por trás de cada depósito há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares. Meu maior desejo é que seja garantida a devolução desses recursos”, afirmou.

A crise ganhou proporção após a suspensão temporária das atividades do Ueno. Peña foi acionista do grupo responsável pela instituição financeira até março de 2025. Diante do caso, opositores passaram a acusar o Banco Central paraguaio de ocultar possíveis irregularidades relacionadas ao banco.

Aliados apoiaram pedido de impeachment

O pedido de impeachment avançou com o apoio de parlamentares da oposição e de integrantes da própria base governista. Durante uma sessão extraordinária realizada nesta quinta, todas as bancadas da Câmara dos Deputados manifestaram intenção de votar a favor da abertura do processo, inclusive os grupos ligados ao Partido Colorado, legenda governista.

A bancada A do partido, que reúne 36 parlamentares, foi a última a declarar apoio à medida. Com o posicionamento, o pedido passou a contar com votos suficientes para alcançar os dois terços necessários à abertura do processo. Dos 80 deputados, 77 estavam presentes no início da sessão.

A crise que levou à pressão política começou após o Banco Central do Paraguai determinar, na terça-feira (3), o procedimento de resolução do Ueno Bank. A medida foi adotada depois que o órgão regulador identificou que o índice de solvência da instituição estava abaixo da metade do mínimo exigido pela legislação.

O banco, controlado pelo Grupo Vázquez, possui aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos. Entre os investidores estava o Instituto de Previdência Social do Paraguai, que mantinha aproximadamente US$ 355 milhões aplicados na instituição.

A intervenção provocou protestos de clientes em Assunção, que foram às ruas cobrar a liberação dos valores depositados. O episódio também levou à renúncia do então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia comandado a Financeira Ueno antes de assumir o órgão regulador.

No pronunciamento desta quinta, Peña afirmou que respeita a Constituição e os mecanismos democráticos do país. Também disse confiar na capacidade das instituições paraguaias de superar a crise.

“Nenhum cargo é mais importante que a estabilidade da República. Nenhuma pessoa está acima do Paraguai”, declarou.

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