Irã nega ter disparado míssil em direção à Turquia
Regime afirmou respeitar a soberania do país, dizendo manter “relações regionais” mesmo em meio ao conflito contra EUA e Israel


Camila Stucaluc
O regime iraniano negou, nesta quinta-feira (5), ter lançado um míssil balístico em direção à Turquia. Em comunicado, as autoridades afirmaram respeitar a soberania do país, dizendo manter as “relações regionais fortes” mesmo em meio ao conflito contra Estados Unidos e Israel.
“As forças armadas da República Islâmica permanecem disciplinadas, unidas e totalmente vigilantes, focadas em proteger o território iraniano e responder de forma decisiva a quaisquer ameaças reais, mantendo relações regionais fortes”, disse o Estado-Maior Geral do Irã.
O ataque contra o país vizinho foi registrado na tarde de quarta-feira (4). A Turquia afirmou que o drone, de fabricação iraniana, foi abatido por sistemas de defesa aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o que gerou preocupação na comunidade internacional.
Isso porque, por pertencer à Otan, a Turquia poderia convocar o Artigo 4 da aliança militar para consultar os integrantes sobre uma possível resposta à violação do espaço aéreo turco. Caso fosse considerado uma ameaça grave, o grupo poderia convocar o Artigo 5, que estipula que um ataque armado contra um membro é considerado um ataque contra todos.
Segundo o Ministério da Defesa turco, o drone sobrevoou o Iraque e a Síria antes de ser abatido no país. Nesta manhã, o Irã anunciou ataques contra grupos separatistas no Iraque, que, segundo o regime, pretendiam entrar pelas fronteiras ocidentais. O comunicado do Ministério da Inteligência, divulgado pela mídia estatal, afirmou que as forças iranianas estão cooperando com "curdos nobres" para frustrar o plano "israelense-americano" de atacar o país.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (28). O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".









