Irã endurece discurso contra EUA após ataques no Líbano
Bombardeios israelenses miraram o Hezbollah; negociador iraniano disse que Washington "não têm disposição ou capacidade para cumprir compromissos"


Ataques israelenses ocorreram contra a capital libanesa, Beirute | Divulgação/IDF
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, condenou neste domingo (14) os novos ataques israelenses contra o Hezbollah, no Líbano. Pelas redes sociais, o principal negociador do país disse que a ação mostra que os Estados Unidos "não têm disposição ou capacidade para cumprir compromissos", o que prejudica as negociações de paz.
“A incursão sionista em Dahiyeh mostrou mais uma vez que a América ou não tem vontade de cumprir seus compromissos ou capacidade para isso. Ao dar sinal verde ao regime, não se pode obter concessões. Se você não tem vontade e capacidade para cumprir seus compromissos, falar em continuar esse caminho não é possível”, escreveu Qalibaf.
Os novos ataques israelenses ocorreram contra a capital libanesa, Beirute. Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) informaram que bombardearam a sede do Hezbollah na cidade, em retaliação ao lançamento de mísseis contra Tel Aviv feito pelo grupo. Imagens aéreas mostram o momento do ataque:
A ofensiva israelense desafia o Irã. No início da semana, Teerã suspendeu os ataques contra Tel Aviv, mas avisou que voltaria a lançar mísseis contra o país caso as tropas continuassem com as hostilidades contra o Líbano. Neste domingo, o vice-comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, Mohammad Jafar Assadi, afirmou que os “crimes” cometidos por Israel não ficarão sem resposta.
Uma nova troca de hostilidade entre os países pode aumentar a tensão entre Israel e Estados Unidos. Mais cedo, o presidente Donald Trump havia dito que esperava assinar um acordo de paz ainda hoje, encerrando a guerra. Os bombardeios israelenses, no entanto, podem dificultar a conclusão das negociações, uma vez que o Irã afirma que qualquer entendimento depende de uma trégua no Líbano.
Entenda
Israel e Hezbollah voltaram a trocar hostilidades no início de março, encerrando o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Os ataques começaram após o grupo, apoiado pelo Irã, lançar drones contra Tel Aviv em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos em Teerã, iniciada em 28 de fevereiro.
A ofensiva israelenses mirou todo o Líbano, incluindo a capital, Beirute. Além dos ataques aéreos, os militares avançaram por terra, visando expandir a zona de segurança no sul do país. A ofensiva já deixa 3,6 mil mortos e 11,1 mil feridos, segundo dados do Ministério da Saúde local.
Em maio, Israel e Líbano concordaram em prorrogar o cessar-fogo, inicialmente de 10 dias. O período de trégua foi estabelecido para incentivar as delegações a negociarem um acordo definitivo de paz, com foco no desarmamento do Hezbollah — entendimento essencial para as negociações entre Estados Unidos e Irã.














