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Governo do RS descarta caso suspeito de ebola

Exame realizado no paciente de 64 anos deu negativo para doença; Secretária da Saúde segue monitorando caso

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Camila Stucaluc
Ebola é causada por uma infecção por um ortoebolavírus | Reprodução/ CDC US

Ebola é causada por uma infecção por um ortoebolavírus | Reprodução/ CDC US

O governo do Rio Grande do Sul descartou o caso suspeito de ebola no estado. Em comunicado divulgado na noite de sábado (13), a administração afirmou que o exame realizado no paciente de 64 anos deu negativo para a doença.

O caso era investigado desde quinta-feira (11), quando o idoso, com histórico recente de permanência em Uganda, país afetado pela doença, foi atendido em uma unidade de saúde de Novo Hamburgo. Durante a investigação, foi realizado teste rápido para malária, com resultado positivo para Plasmodium falciparum, sendo iniciado o tratamento.

Na sexta-feira (12), o paciente havia sido transferido ao Grupo Hospital Conceição, em Porto Alegre. No dia seguinte, amostras para o exame para a detecção de ebola foram coletadas e enviadas para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que confirmou o resultado negativo para a doença.

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“O monitoramento do caso segue sendo realizado pelas equipes de assistência e vigilância em saúde”, disse a Secretária da Saúde do estado, Lisiane Fagundes.

Nesta semana, a Secretaria da Saúde de São Paulo (SES-SP) também descartou um caso suspeito de ebola — o segundo registrado neste ano no estado. O resultado foi confirmado pelo Instituto Adolfo Lutz após análises laboratoriais em duas amostras coletadas de uma paciente de 31 anos que havia retornado recentemente da República Democrática do Congo.

O que é ebola?

Descoberto em 1976, o agente do ebola é um vírus da família Filoviridae, do gênero Ebolavirus. Acredita-se que o vírus foi transmitido para seres humanos a partir de contato com sangue, órgãos ou fluidos corporais de animais infectados, como chimpanzés, gorilas, morcegos-gigantes, antílopes e porcos-espinho.

Até o momento, foram descritas cinco subespécies de vírus Ebola, sendo que quatro delas afetam humanos e uma delas, apenas primatas não humanos: vírus Ebola (Zaire Ebolavirus); vírus Sudão (Sudão Ebolavirus); vírus Taï Forest (Tai Forest Ebolavirus), vírus Bundibugyo (Bundibugyo Ebolavirus) e vírus Reston (Reston Ebolavirus) — este último afetando somente animais.

A transmissão acontece por meio do contato com sangue, tecidos ou fluidos corporais de animais e indivíduos infectados (incluindo cadáveres), ou a partir do contato com superfícies e objetos contaminados.

Em relação aos sintomas, são observados febre, fraqueza, diarreia, vômitos, dor abdominal, inapetência, odinofagia e manifestações hemorrágicas. O período de incubação da doença pode variar de 2 a 21 dias, com média de 5 a 10 dias para a maior parte dos casos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o ebola é uma doença grave, com taxa de letalidade que pode chegar até os 90%.

Novo surto

O novo surto de ebola acontece na República Democrática do Congo, em decorrência da variante Bundibugyo, cepa rara da doença para a qual ainda não há vacina aprovada. Segundo as autoridades, a falta de tratamento aliada à desconfiança e violência armada, sobretudo na província de Ituri, tornam o país ainda mais vulnerável.

Além da República Democrática do Congo, 19 infecções e duas mortes por ebola foram registradas em Uganda. O surto, contudo, permanece epidemiologicamente ligado à transmissão originada no Congo, com evidências tanto de infecções importadas quanto de transmissão secundária entre contatos e profissionais de saúde.

O cenário é tratado pela OMS como emergência de saúde pública de importância internacional. Para conter as infecções, a organização lançou um plano em parceria com Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África), visando o rastreamento e isolamento de casos. Equipes médicas também ampliam ensaios clínicos para desenvolver tratamentos e vacinas.

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