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República Democrática do Congo confirma 101 mortes por ebola

Governo afirma que falta de vacina e violência armada deixam o país mais vulnerável para doença

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Camila Stucaluc
09/06/2026, 06:02 • Atualizado em 09/06/2026, 06:02
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Novo surto de ebola no Congo ocorre em decorrência da variante Bundibugyo | Reuters

Novo surto de ebola no Congo ocorre em decorrência da variante Bundibugyo | Reuters

Subiu para 101 o número de mortes por ebola na República Democrática do Congo. A atualização foi feita na segunda-feira (8) pelo governo local, que também confirmou 550 casos da doença.

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O novo surto de ebola no Congo ocorre em decorrência da variante Bundibugyo, cepa rara da doença para a qual ainda não há vacina aprovada. Segundo as autoridades, a falta de tratamento aliada à desconfiança e violência armada, sobretudo na província de Ituri, tornam o país ainda mais vulnerável.

“A presença de grupos armados continua limitando o acesso humanitário em múltiplas zonas de saúde afetadas ou em risco”, disse o governo. No último domingo (7), por exemplo, uma equipe funerária foi atacada enquanto caminhava para o cemitério de Nyamurongo, em Bunia, deixando dois feridos.

A violência está aumentando o deslocamento no país, incluindo de profissionais de saúde, o que também prejudica as ações. “Isso está atrapalhando seriamente os esforços para ampliar o rastreamento de contatos do Ebola e identificar infecções cedo o suficiente para oferecer cuidados de apoio”, disse o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom.

Além da República Democrática do Congo, 19 infecções e duas mortes por ebola foram registradas em Uganda. O surto, contudo, permanece epidemiologicamente ligado à transmissão originada no Congo, com evidências tanto de infecções importadas quanto de transmissão secundária entre contatos e profissionais de saúde.

O cenário é tratado pela OMS como emergência de saúde pública de importância internacional. Para conter as infecções, a organização lançou um plano em parceria com Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África), visando o rastreamento e isolamento de casos. Equipes médicas também ampliam ensaios clínicos para desenvolver tratamentos e vacinas.

O que é ebola?

Descoberto em 1976, o agente do ebola é um vírus da família Filoviridae, do gênero Ebolavirus. Acredita-se que o vírus foi transmitido para seres humanos a partir de contato com sangue, órgãos ou fluidos corporais de animais infectados, como chimpanzés, gorilas, morcegos-gigantes, antílopes e porcos-espinho.

Até o momento, foram descritas cinco subespécies de vírus Ebola, sendo que quatro delas afetam humanos e uma delas, apenas primatas não humanos: vírus Ebola (Zaire Ebolavirus); vírus Sudão (Sudão Ebolavirus); vírus Taï Forest (Tai Forest Ebolavirus), vírus Bundibugyo (Bundibugyo Ebolavirus) e vírus Reston (Reston Ebolavirus) — este último afetando somente animais.

A transmissão acontece por meio do contato com sangue, tecidos ou fluidos corporais de animais e indivíduos infectados (incluindo cadáveres), ou a partir do contato com superfícies e objetos contaminados.

Em relação aos sintomas, são observados febre, fraqueza, diarreia, vômitos, dor abdominal, inapetência, odinofagia e manifestações hemorrágicas. O período de incubação da doença pode variar de 2 a 21 dias, com média de 5 a 10 dias para a maior parte dos casos. Segundo a OMS, o ebola é uma doença grave, com taxa de letalidade que pode chegar até os 90%.

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