Brasil cria grupo com Coreia para avançar acordo comercial
Lula recebeu coreano Lee Jae-myung e assinou memorandos em áreas como cooperação aeroespacial e transição energética; Alckmin vai liderar delegação brasileira
Victor Schneider
Lee Jae-myung e Lula fazem o "coração coreano", popularizado em doramas e filmes do país asiático | Reprodução/YouTube
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, anunciaram nesta segunda-feira (27) a criação de um grupo de trabalho para acelerar os trâmites de um acordo de livre-comércio entre o Mercosul e o país asiático.
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As tratativas foram comunicadas durante a visita de Estado de Jae-myung a Brasília. Os países assinaram memorandos de cooperação em áreas como cooperação aeroespacial, minerais críticos, transição energética, intercâmbio estudantil, cinema, semicondutores e tecnologia industrial.
Em fala a jornalistas, Lula fez questão de frisar que designou o vice-presidente Geraldo Alckmin para comandar as negociações do lado brasileiro pela importância que dá ao acordo. Da parte coreana, a coordenação ficará a cargo do secretário-chefe de Assuntos Políticos, Hong Ik-pyo, que tem função equivalente à de ministro das Relações Institucionais no Brasil.
“No momento em que há muitas incertezas no âmbito comercial, o nosso acordo entre Brasil e Coreia não pode mais esperar, é para agora. Acreditamos que ele vai trazer para as empresas coreanas uma maior oportunidade de entrar no mercado da América do Sul e uma nova perspectiva ao mercado asiático via Coreia para o Brasil", avaliou o coreano Lee Jae-myung.
Os presidentes trocaram elogios e destacaram o potencial da parceria em um momento em que a Coreia do Sul busca assegurar acesso contínuo a suprimentos minerais para a sua indústria de eletrônicos e o Brasil tenta ganhar espaço no extenso mercado consumidor de carnes da Coreia, cujo padrão de exigência sanitária é rigoroso.
Conforme Lula, uma missão de reconhecimento de autoridades coreanas virá em agosto para inspecionar frigoríficos brasileiros e atestar se há conformidade com as exigências, destravando um dos principais gargalos para a assinatura do acordo.
Em 2025, a balança comercial entre Coreia e Brasil chegou a aproximadamente US$ 11 bilhões. Os principais itens de venda brasileira são minério de ferro, petróleo, celulose, soja e carnes. Nas importações, predominam itens manufaturados como condutores, eletrônicos, maquinário, carros e autopeças.
"É pouco diante do tamanho da Coreia e do Brasil", avaliou Lula, que prometeu expandir esse mercado com base no plano estratégico 2026-2029 firmado entre os países.
Similaridade e Guerreiras do K-Pop
Assim como Lula, Lee Jae-myung é ex-operário e sofreu acidente de trabalho que lesou parte de sua mão esquerda, embora não tenha decepado o dedo mindinho como no caso do presidente brasileiro. A semelhança foi citada pelo coreano para lembrar que ambos vêm de origem humilde e, por isso, compreendem as necessidades da população mais pobre.
Jae-myung terá na terça (28) outra agenda de reuniões em São Paulo, cidade que concentra cerca de 50 mil coreanos – a maior comunidade na América Latina –, acompanhado da primeira-dama Kim Hye-kyung. “Planejo visitar um sindicato de metalúrgicos lá onde o presidente Lula já trabalhou para relembrar as realidades do trabalho duro", afirmou.
Já Lula fez questão de relembrar a “cortesia” e “gentileza” com que foi recebido em Seul durante visita em fevereiro. Também destacou impacto de fenômenos culturais coreanos sobre o público brasileiro, como os doramas – estilo de novela tipicamente coreana – e o filme “Guerreiras do K-Pop” (2025), estrondoso sucesso do streaming que o elevou à produção mais assistida da história da Netflix, superando as 600 milhões de visualizações.
“É nesse contexto que a Coreia ocupa um local especial. Poucos países transformaram a sua realidade com tanta rapidez e consistência. Em algumas décadas, o investimento em educação, inovação e capacidade industrial fizeram da Coreia uma referência mundial. Os jovens brasileiros são apaixonados pela Coreia. Cresce ano a ano o número de estudantes de coreano em universidades, centros culturais e institutos Rei Sejong no Brasil", lembrou Lula.
Lee Jae-myung também deixou em aberto a possibilidade de vir presencialmente ao Brasil para o lançamento de um foguete empresa sul-coreana InnoSpace na Base de Alcântara, no Maranhão. A última tentativa, em dezembro de 2025, falhou e culminou na explosão da estrutura pouco após a decolagem. A expectativa é que o lançamento possa ocorrer em setembro. “Se o outro foguete não subiu, esse vai subir, e a partir desse todos irão subir", projetou o presidente brasileiro.
Brasil cria grupo com Coreia para avançar acordo comercialLula recebeu coreano Lee Jae-myung e assinou memorandos em áreas como cooperação aeroespacial e transição energética; Alckmin vai liderar delegação brasileira
Política2026-07-27T18:00:46.686ZOs presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, anunciaram nesta segunda-feira (27) a criação de um grupo de trabalho para acelerar os trâmites de um acordo de livre-comércio entre o Mercosul e o país asiático. As tratativas foram comunicadas durante a visita de Estado de Jae-myung a Brasília. Os países assinaram memorandos de cooperação em áreas como cooperação aeroespacial, minerais críticos, transição energética, intercâmbio estudantil, cinema, semicondutores e tecnologia industrial. + Em fala a jornalistas, Lula fez questão de frisar que designou o vice-presidente Geraldo Alckmin para comandar as negociações do lado brasileiro pela importância que dá ao acordo. Da parte coreana, a coordenação ficará a cargo do secretário-chefe de Assuntos Políticos, Hong Ik-pyo, que tem função equivalente à de ministro das Relações Institucionais no Brasil. “No momento em que há muitas incertezas no âmbito comercial, o nosso acordo entre Brasil e Coreia não pode mais esperar, é para agora. Acreditamos que ele vai trazer para as empresas coreanas uma maior oportunidade de entrar no mercado da América do Sul e uma nova perspectiva ao mercado asiático via Coreia para o Brasil", avaliou o coreano Lee Jae-myung. Os presidentes trocaram elogios e destacaram o potencial da parceria em um momento em que a Coreia do Sul busca assegurar acesso contínuo a suprimentos minerais para a sua indústria de eletrônicos e o Brasil tenta ganhar espaço no extenso mercado consumidor de carnes da Coreia, cujo padrão de exigência sanitária é rigoroso. Conforme Lula, uma missão de reconhecimento de autoridades coreanas virá em agosto para inspecionar frigoríficos brasileiros e atestar se há conformidade com as exigências, destravando um dos principais gargalos para a assinatura do acordo. Em 2025, a balança comercial entre Coreia e Brasil chegou a aproximadamente US$ 11 bilhões. Os principais itens de venda brasileira são minério de ferro, petróleo, celulose, soja e carnes. Nas importações, predominam itens manufaturados como condutores, eletrônicos, maquinário, carros e autopeças. "É pouco diante do tamanho da Coreia e do Brasil", avaliou Lula, que prometeu expandir esse mercado com base no plano estratégico 2026-2029 firmado entre os países. Similaridade e Guerreiras do K-Pop Assim como Lula, Lee Jae-myung é ex-operário e sofreu acidente de trabalho que lesou parte de sua mão esquerda, embora não tenha decepado o dedo mindinho como no caso do presidente brasileiro. A semelhança foi citada pelo coreano para lembrar que ambos vêm de origem humilde e, por isso, compreendem as necessidades da população mais pobre. Jae-myung terá na terça (28) outra agenda de reuniões em São Paulo, cidade que concentra cerca de 50 mil coreanos – a maior comunidade na América Latina –, acompanhado da primeira-dama Kim Hye-kyung. “Planejo visitar um sindicato de metalúrgicos lá onde o presidente Lula já trabalhou para relembrar as realidades do trabalho duro", afirmou. Já Lula fez questão de relembrar a “cortesia” e “gentileza” com que foi recebido em Seul durante visita em fevereiro. Também destacou impacto de fenômenos culturais coreanos sobre o público brasileiro, como os doramas – estilo de novela tipicamente coreana – e o filme “Guerreiras do K-Pop” (2025), estrondoso sucesso do streaming que o elevou à produção mais assistida da história da Netflix, superando as 600 milhões de visualizações. “É nesse contexto que a Coreia ocupa um local especial. Poucos países transformaram a sua realidade com tanta rapidez e consistência. Em algumas décadas, o investimento em educação, inovação e capacidade industrial fizeram da Coreia uma referência mundial. Os jovens brasileiros são apaixonados pela Coreia. Cresce ano a ano o número de estudantes de coreano em universidades, centros culturais e institutos Rei Sejong no Brasil", lembrou Lula. Lee Jae-myung também deixou em aberto a possibilidade de vir presencialmente ao Brasil para o lançamento de um foguete empresa sul-coreana InnoSpace na Base de Alcântara, no Maranhão. A última tentativa, em dezembro de 2025, falhou e culminou na explosão da estrutura pouco após a decolagem. A expectativa é que o lançamento possa ocorrer em setembro. “Se o outro foguete não subiu, esse vai subir, e a partir desse todos irão subir", projetou o presidente brasileiro.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/brasil-cria-grupo-com-coreia-para-avancar-acordo-comercial