Em referendo, Suíça rejeita limitar população a 10 milhões
Até às 11h30, 53,6% dos suíços eram contra a proposta que tiraria o país de acordos de livre circulação de pessoas


Bandeira da Suíça balançando com o vento (Khairul Abdullah/Flickr)
Os suíços rejeitaram neste domingo (14) limitar a população local a 10 milhões. Até às 11h30, o referendo sobre o tema tinha 53,6% de rejeição, com os votos já tendo sido contabilizados em 25 dos 26 cantões do país – similares aos estados brasileiros. Faltava apenas os votos de Zurique, mas não há mais possibilidade de reverter o resultado. A apuração pode ser acompanhada neste site.
Para ser aprovada, a proposta dependia de maioria simples (ou seja, superar os 50% dos votos) e passar na maioria dos cantões (ao menos 14 dos 26). O referendo vinha sendo chamado de "Swissexit" – em referência ao Brexit, em 2016, que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia alguns anos depois. Pesquisas de opinião recentes já previam um cenário apertado, mas apontavam corretamente para uma maioria contrária à limitação populacional.
Os cantões de Basilieia-Cidade, Berna, Vaud e Genebra puxaram os votos contrários à medida, enquanto Aargau, Schwyz, Sangalo e Solothurn foram majoritariamente favoráveis.
Atualmente, a Suíça tem 9,1 milhão de pessoas. A proposta previa que, ao chegar a 9,5 milhões, o Conselho Federal e o parlamento deveriam tomar medidas para restringir a concessão de asilos e de reunião familiar. Também deveria invocar algumas medidas de salvaguardas em acordos internacionais que favorecem o crescimento demográfico.
Na prática, a aprovação significaria a renúncia futura a uma série de acordos fechados entre a Suíça e a União Europeia. Os suíços não integram o bloco econômico, mas possuem acordos de livre circulação de pessoas no chamado Espaço Schengen. Quando a marca de 10 milhões fosse atingida, a proposta previa que a Suíça teria que deixar esses acordos em até dois anos, em particular o tratado de livre circulação.
Conforme mostrou a Coluna do Renato Machado, do SBT News, o tema dividiu a população em campanhas ostensivas nas ruas, na mídia e nas redes sociais. Normalmente, os tradicionais referendos na Suíça – que abordam diferentes assuntos, desde compra de caças para as Forças Armadas até impostos – costumam ser discutidos em cartazes nas ruas.
Os apoiadores da medida, elaborada pela União Democrática do Centro, um partido da direita radical, citam que a estrutura social da Suíça não consegue atender à crescente população, além de atribuir aos imigrantes o aumento da violência.Por outro lado, os opositores apontavam que a economia dependia dos migrantes e que os serviços ficariam mais caros.














