Suíça faz polêmico referendo para limitar população em 10 mi
Proposta vem sendo chamada de "Brexit Suíço" e pode resultar no fim de acordo de livre circulação de pessoas com a União Europeia


Bandeira da Suíça balançando com o vento (Khairul Abdullah/Flickr)
Os cidadãos da Suíça votarão em um referendo no próximo domingo (14) para decidir se estabelecem um limite máximo para a sua população permanente, que não poderá ultrapassar 10 milhões de pessoas, caso a iniciativa seja aprovada.
A polêmica proposta vem sendo chamada de "Swissexit", em referência ao Brexit, proposta que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia, decidida em 2016. As mais recentes pesquisas de opinião indicam um cenário apertado, com 52% contra a proposta.
Na prática, a aprovação da medida significaria a renúncia futura a uma série de acordos fechados entre a Suiça e a União Europeia. Os suíços não integram o bloco econômico, mas possuem acordos de livre circulação de pessoas.
Atualmente, a Suíça tem 9,1 milhão de pessoas. A proposta prevê que, ao chegar a 9,5 milhões, o Conselho Federal e o parlamento deverão tomar medidas para restringir concessão de asilos e de reunião familiar. Também deve invocar algumas medidas de salvaguardas em acordos internacionais que favorecem o crescimento demográfico.
Quando a marca de 10 milhões for atingida, a proposta prevê que a Suíça deixe esses acordos em até dois anos, em particular o tratado de livre circulação de pessoas com a União Europeia.
A proposta vem dividindo a população, com uma campanha ostensiva nas ruas, na mídia e nas redes sociais. Normalmente, os tradicionais referendos na Suíça -- que abordam diferentes assuntos, desde compra de caças para as Forças Armadas até impostos -- costumam ser discutidos em cartazes nas ruas.
Alguns deles mostram imigrantes como autores de roubos. Outros mostram os recursos financeiros da Suíça vazando por túneis para países vizinhos, pois a população dessas localidades usam serviços suíços.
Os apoiadores da medida, elaborada pela União Democrática do Centro, um partido da direita radical, citam que a estrutura social da Suíça não consegue atender a crescente população, além de atribuir aos imigrantes o aumento da violência.
Por outro lado, os opositores apontam que a economia depende dos migrantes e que os serviços ficariam mais caros.
Em uma polêmica propaganda veiculada recentemente, um jovem casal está em uma lanchonete e derruba a bebida sobre a mesa. Há um clima de desconforto, pois a pessoa que aparece para limpar é a avó da garota, indicando que aposentados podem precisar retornar ao mercado de trabalho pela falta de trabalhadores.




















