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"Guerras podem ser travadas para sempre", diz Trump ao falar sobre estoque militar dos EUA

Republicano admitiu, contudo, que falta 'armamento de ponta' devido às doações à Ucrânia

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Divulgação/White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que, se for preciso, o país tem armamento suficiente para “travar guerras para sempre”. A declaração acontece em meio à operação coordenada entre Washington e Israel contra o Irã.

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“Os estoques de munições dos Estados Unidos, em termos de armamento médio e médio-superior, nunca estiveram tão altos ou melhores. Como me foi dito hoje, temos um suprimento praticamente ilimitado dessas armas. Guerras podem ser travadas ‘para sempre’ e com muito sucesso, usando apenas esses suprimentos”, escreveu Trump, nas redes sociais.

O republicano admitiu, contudo, que faltam armamentos de ponta. Segundo ele, boa parte dos equipamentos foram doados pelo então presidente Joe Biden à Ucrânia, como parte dos esforços para conter a invasão russa.

“No quesito armamento de ponta, temos um bom suprimento, mas não estamos onde gostaríamos. Muitas outras armas de alta qualidade estão armazenadas para nós em países distantes. O sonolento Joe Biden gastou todo o seu tempo e o dinheiro do nosso país dando tudo à Ucrânia — centenas de bilhões de dólares em armamento — e não se preocupou em repô-lo”, afirmou.

Mais cedo, ao comentar sobre a operação no Irã, Trump disse que o conflito deve durar "quatro ou cinco semanas ou mais". O republicano afirmou que o objetivo é destruir mísseis, desmantelar a Marinha iraniana e interromper as ambições nucleares do país, bem como o financiamento do governo a grupos terroristas. Disse, ainda, que espera que a população iraniana derrube o regime vigente.

Atualmente, as tropas norte-americanas operam na costa do Irã, de onde lançam mísseis contra instalações de comando e controle do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, capacidades de defesa aérea, locais de lançamento de mísseis e drones, e aeródromos militares. Trump afirmou, contudo, que “não tem receio em relação a tropas terrestres” no país.

Entenda

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (28). O bombardeio, que deixou mais de 200 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, que deixaram mais de 500 mortos, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

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