Mundo

Conflito no Oriente Médio: ONU alerta para evacuação em massa caso usinas nucleares sejam atacadas

Organização afirmou que bombardeio pode resultar em uma liberação radiológica com consequências graves

Imagem da noticia Conflito no Oriente Médio: ONU alerta para evacuação em massa caso usinas nucleares sejam atacadas
Diretor-Geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi | Divulgação/AIEA

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), alertou, nesta segunda-feira (2) para possíveis consequências da escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Entre elas está a possibilidade de uma evacuação em massa de cidades no Oriente Médio caso usinas nucleares sejam atacadas.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Além do Irã, os Emirados Árabes Unidos possuem quatro reatores nucleares operacionais, enquanto Jordânia e Síria contam com reatores de pesquisa nuclear. Catar e Arábia Saudita também usam aplicações nucleares, sobretudo no setor de energia. Nos últimos dias, todos esses países foram alvos de mísseis por parte do Irã, que mira bases militares norte-americanas como forma de retaliação.

“A AIEA possui amplo conhecimento sobre a natureza e localização de material nuclear e radiológico na região. Permitam-me ressaltar que a situação atual é muito preocupante. Não podemos descartar uma possível liberação radiológica com consequências graves, incluindo a necessidade de evacuar áreas tão grandes ou maiores que grandes cidades”, disse o diretor-geral da agência, Rafael Grossi.

Em meio aos temores, o diplomata voltou a pedir aos países que retomem o diálogo para alcançar um acordo que acabe com as hostilidades. Segundo ele, quando se trata de questões nucleares, uma “compreensão cristalina do alcance e da verificabilidade de um acordo é essencial”.

“O uso da força está presente nas relações internacionais desde tempos imemoriais. Isso é uma realidade. Mas é sempre a opção menos preferida. Continuo convencido de que a solução duradoura para essa discórdia de longa data está na mesa diplomática. Diplomacia é difícil e a diplomacia nuclear é ainda mais difícil, mas nunca é impossível. Não é uma questão de se, mas de quando, nos reuniremos novamente naquela mesa diplomática – e simplesmente devemos fazer isso o mais rápido possível”, disse.

Entenda

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (18). O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

Em pronunciamento, Trump afirmou que a operação contra o Irã vai continuar até que todos os objetivos militares dos Estados Unidos sejam alcançados. Disse, também, que o país irá vingar a morte dos três militares durante a retaliação iraniana. "Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa”, disse.

Já à revista The Atlantic, o presidente norte-americano revelou que a nova liderança iraniana manifestou interesse em negociar com Washington e que ele concordou em abrir diálogo. Questionado sobre quando as conversas devem ocorrer, respondeu que não poderia precisar uma data. A declaração, contudo, foi rejeitada pelo chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, que disse que o país não irá negociar com os Estados Unidos.

Últimas Notícias